RSS Blog do Oscar :: Samir Mullah N'mboVoce está exibindo um feed que apresenta conteúdo atualizado com freqüencia.http://www.blogdooscar.com.br/pt-brhttp://www.blogdooscar.com.br/img/index_r3_c1.jpgBlog do Oscar :: Samir Mullah N'mbohttp://www.blogdooscar.com.br/<![CDATA[Meu foco é gente]]> Nos últimos anos, compromissos profissionais têm me colocado entre Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e alguns países da África, onde nasci.

Antropólogo de profissão, não sou dos que renegam costumes e práticas ancestrais em nome do falso brilho da chamada “civilização judaico-cristã ocidental”.

Convidado a ancorar meu blog aqui neste ‘espaço cibernético’ em torno do jornalista Oscar Ramos Gaspar, no começo me enchi de dúvidas. O cara diz que tem uma certa experiência como jornalista amazônico (na década de 70, quando a Amazônia ainda existia, segundo dizem os profetas do caos, capazes de afirmar que o Xingu seca em cinco anos), trabalhou para governos nos dois Mato Grosso, foi chefe de redação, fundou jornal e coisa e tal. Ou seja, nada que me agrade enquanto antropólogo que, como qualquer cientista social, detesta a pressa presunçosa de jornalistas.

Também detesto aquela babaquice que todo jornalista que foi uma única vez à Amazônia, mesmo que não tenha saído de Manaus ou Belém, tenta passar: a de que passou trinta anos na selva. Se der trela, é capaz de dizer que entrevistou o coronel Faucett, aquele inglês doido, cuja ‘viagem’ em busca da cidade dourada no centro da Terra, a indiada apressou com bordunas e tacapes. Rendeu um bom escalpo, dizem. Na África fizemos e fazemos muito disso com os branquelas. E ainda rende teses de antropologia, financiadas pelos colonizadores europeus com o dinheiro do ouro que nos roubaram.

Voltando ao Oscar, não sei se temos um futuro longo aqui neste espaço. Em todo caso, acho que vamos nos entender depois que ele me disse que tenho liberdade total para lançar um olhar ao mesmo tempo estrangeiro e patrício (por afinidades étnicas, ancestralidade etc) sobre essa civilização guaicuru-pantaneira.

Prometo iniciar em breve uma série em que pretendo analisar a origem das “pequenas”, médias e grandes fortunas de políticos, para mim um dos maiores e mais instigantes mistérios socioantropológicos e étnicos-éticos. Eis a antropofagia em seu estado mais genuinamente brutal.

Embora haja quem diga que esse seria um tema meramente policial, para mim, cientista social independente, a investigação científica pode salvar biografias de homens públicos que estão eternamente sob suspeita só porque eram, por exemplo, professor primário ou gari e hoje são “pessoas de bem e de posses”.
Já levantei histórias exemplares para uma, digamos, socioantropologia do processo repentino de enriquecimento.
Isso é fenômeno social. Veremos.

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2009-11-13 12:16:58alexandre@assistence.com.brhttp://www.blogdooscar.com.br/resultRSS.php?Blog=32
<![CDATA[Miscigenação e esculhambação]]> Minha experiência em África – onde chefes de clãs e líderes tribais repentinamente se tornam chefes de (des)governo em países artificiais inventados pelo colonizador europeu depois de saquear nossas riquezas – de pouco ou nada valeu para decodificar o fenômeno brasileiro.
Supunha haver aprendido na academia que nos regimes democráticos o equilíbrio entre os poderes propiciava que Legislativo fiscalizasse o Executivo, enquanto o Judiciário operava para manter o equilíbrio, corrigindo distorções, buscando a tal da moderação. Tudo como dizem os chamados ‘pais da pátria’, os fundadores da democracia americana, em textos celebrados.
Qual nada. Ao começar a estudar o Brasil, vejo que a democracia à brasileira parece ter ampliado as faixas por onde correm soltos os políticos oportunistas, os carreiristas – já que correm, como disse – e os negocistas. E o mercantilismo se estende da ‘simples’ venda do voto pessoal, que o(a) eleitor(a), miserável de dinheiro e de cidadania, troca por algo como dentadura ou – cúmulo da valorização – até por uma operação plástica, mesmo que depois descubra que o seio esquerdo foi parar no ombro direito.
Aí me vem os teóricos com o enferrujado argumento de que tudo isso – a corrupção eleitoral que azeita o trampolim da ascensão econômica e ‘social’ de uma tal classe política em infindável degradação ética – é ‘processo’, que a democracia corrige tudo no longo prazo. Ora, eu já me cansei de escutar que a democracia tem todos os defeitos, mas não há outro regime melhor que ela, coisas assim. Mas, que processo ‘menos ruim’ é esse, que para começar a melhorar é preciso ir esculhambar total.
Não sou brasileiro nato, mas na condição de filho do continente africano, que forneceu milhões seres humanos que, além de braços escravos para construir a riqueza econômica, foram fundamentais para criar o patrimônio cultural extraordinário e o DNA d um caldeamento étnico que dá identidade a este país, tenho mais autoridade e conhecimento do que muitos esbranquiçados que posam cientistas sociais acima bem e do mal. Mas que são apenas mistificadores.
Por aí os senhores podem avaliar a rota que seguirei nos próximos capítulos. E que não me venham acusar de racismo, preconceito ou outras baboseiras. Basta ver meu perfil para saber que meus acentrais comiam branquelos - e negros inimigos - a pururuca e sem sal. Até.


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2009-11-18 09:18:03alexandre@assistence.com.brhttp://www.blogdooscar.com.br/resultRSS.php?Blog=43
<![CDATA[O Brasil pelas beiradas]]> Não consigo entender cordialidade sem imbricar (esse é um termo muito caro a nós das ciências sociais, embora imbricação ou imbricamento possa ser sinônimo de fornicação, tranqüilamente) seu significado com solidariedade.
A suposição empírica – e, por isso mesmo, suspeita a todo e qualquer raciocínio científico, como o meu – de que o brasileiro é um solidário inato, rui (de ruir, desabar, não tem nada a ver com Rui Rei ou Ruy Barbosa) ao questionamento elementar sobre como pode um povo inteiro ser, em tese, solidário, se uma minoria ínfima desse povo nem povo é na acepção do termo, pois é dona de quase tudo. E não dá nem o osso para a esmagadora maioria que habita territórios sombrios que nós antropólogos, sociólogos e economistas denominamos de ‘classes’ c,d, e f, g , h e por aí abaixo.
Como estou muito preocupado em conseguir com um senador amigo do presidente da CBF uma ‘boca’ de assessor antropológico da seleção na Copa da África do Sul, não vou me demorar na avaliação dessa ambivalente ‘cordialidade’, pois alem de meu currículo de africano dado a ancestralidades ritualísticas que não vou enumerar aqui, ainda vou ter de provar que não pratico canibalismo (coisa mais boba essa, afinal comer um ou outro branco é a coisa mais natural na minha aldeia, como diria Fernando Pessoa – ou foi outra pessoa??) há pelo menos dez anos.
Voltando ao discurso da solidariedade inata do brasileiro, uma falácia que pretendo desmontar nos próximos artigos, acho que o maior fenômeno social e sociológico do Brasil nos últimos anos foi promovido pelas Casas Bahia, tendo como coadjuvantes outras redes do ramo. Que Lula, que nada. É nas tais Casas Bahia que o cara migra, num passe de mágica, da classe ‘f’ (pra bom entender um efe basta) para a ‘c’. Ao comprar uma tv lcd, o cidadão dá um salto social e tecnológico equivalente a dez mil anos – do radinho de pilha para o tal lcd é a mesma coisa que dar uma motosserra (com licença, governador Blairo Maggi) a um índio que ainda esteja com a machadinha de pedra.
Se o cara vai ou não pagar a tal tv que o levou do ‘f’ ao ‘c’ no alfabeto de uma classificação que ele não conhece – porque desconhece o alfabeto, estudou três anos para ser analfabeto funcional – é problema dele. O carnê pode custar-lhe a carne. Os ossos e a vergonha de ter que devolver o ‘bem’ o ícone de sua passagem (rápida) pelo paraíso da ascendência.
Por isso, minha tese de pós-pós doutorado será, muito provavelmente, sobre as Casas Bahia como emblema da solidariedade brasileira. O judeu já me prometeu um subsidio, “palavra do dono”!
Só que a tão decantada solidariedade brasileira tem lá suas nuances e seus trejeitos. Cordial, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que significa coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre o privado e o público, ele detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade.
Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, descrito como “o homem cordial” pelo antropólogo Sérgio Buarque de Holanda. No livro “Raízes do Brasil”, este autor afirma que o indivíduo brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deva-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral, não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência fratricida observada na época do Brasil Império, tendência esta bem ilustradas pelos episódios conhecidos com Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador.
Por fim – e antes que algum imbecilóide com pretensões intelectuais e tempo para ficar ‘conferindo’ originalidade de textos na web – me venha acusar de plágio, assinalo que em nome da própria cordialidade brasileira lancei mão de algumas – e longas, claro, para não tirar sentido – citações de textos ‘disponíveis’ na grande rede.
Nós cientistas sociais podemos nos citar mutuamente. E eternamente. Não há mais nada de novo sob o sol.
Só a ‘solidária’ esperteza de alguns.


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2009-11-25 01:06:26alexandre@assistence.com.brhttp://www.blogdooscar.com.br/resultRSS.php?Blog=58