Na linha da própria concepção editorial do blog, que não pretende contemporizar com poderosos de plantão, este ‘perfil’ não se queda à autocomplacência.
Já que todos sabem que nenhum jornalista contrataria algum redator independente para fazer seu ‘perfil’, eu mesmo escrevi o seguinte: escriba jurássico, comecei aos vinte anos na Folha de Londrina, aos 23, em 1975 – quem quiser que se dê ao trabalho de somar o meu balaio de décadas – entrava para O Estado de S. Paulo, jornal para o qual cobri, por quatro anos, conflitos, escaramuças e crimes que conferiram às primeiras ‘frentes’ de ocupação da Amazônia o caráter de barbárie patrocinada pelo dinheiro público, para uso e deleite de um punhado de privilegiados.
A perversão inaugurada pela ditadura militar – “integrar para não entregar” – se perpetua na dizimação ambiental a Amazônia de hoje, que ‘apenas’ reproduz o processo predatório, cujos primeiros passos denunciei nas páginas do Estadão. Nessa mesmo período amazônico colaborei como frila da Veja, cobrindo questões emblemáticas, como o assassinato do Padre Rodolfo Lunkenbein.
Secretário de Comunicação Social em Mato Grosso (governo Carlos Bezerra) e em Mato Grosso do Sul (governo Pedro Pedrossian) e secretário-adjunto da mesma Pasta nos quatro últimos anos do governo Zeca do PT, não tenho do que me envergonhar, como muitos gostariam.
Prefiro, contudo, lembrar que fui editor-fundador da Folha do Povo, cujo DNA editorial, embalado em projeto gráfico moderno, mudou o panorama da imprensa sul-mato-grossense. O sucesso da Folha do Povo, que se deu ao ‘luxo’ de ter o único ombudsman fora do eixo Rio-São Paulo, à época, alimenta até hoje a difícil sobrevida do jornal. Mas também alimentou ódios e despeitos que duram até hoje. O antídoto a esse ‘veneno’ é cruzar a cada instante com profissionais que creditam seu bom desempenho de hoje ao ‘bom começo’ que tiveram na nossa Folha.
De resto, o perfil do jornalista será definido pelo próprio conteúdo diário do Blog do Oscar.
Oscar Ramos Gaspar
oscargaspar@uol.com.br