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Campo Grande/MS, 09 de Setembro 2010
   
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P. Dante Scot
Analista lacaniano com larga experiência no uso de idolatria
reflexa como forma de expandir o ego e elevar a auto-estima.
Postado por   P. Dante Scot |  19/11/2009 | 15:19:38
Lacaio é a mãe
Ainda que me custe tanto, como analista lacaniano, a referência, mesmo indireta, a meu concorrente mais visível, devo dizer que lacaio é mãe.
Quem não perdia a oportunidade de invocar a ‘genitora’ (elementar associação com genitália) era o espasmódico Freud, maníaco priapesco sempre pronto a ‘meter a mãe no meio’ – não necessariamente nessa ordem.
Por isso mesmo, só e quando tenho de evocar a minha mais indomada besta ancestral, para devolver um insulto como esse dos que ‘confundem’ lacaniano com lacaio, é que meto a mãe no meio ante a impossibilidade de meter a mão na cara do sujeito.
E não me venham com esse papo de que psicólogo, psiquiatra, analista e afins devem estar acima desses sentimentos rasteiros. Uma ova. Já dei um corretivo metafísico (quando você mete porrada com todo o vigor físico) num (im)paciente que confessou, em meu divã, sua fixação em minha mulher.
Quando soube do caso, ela, a minha mulher, foi morar com o cara, alegando que o rombo afetivo que eu causara só seria preenchido com anos de terapia que só ela, leiga e meiga, saberia aplicar. Aí que eu descobri que o paciente tinha sido eu. Cornopaciente, diria um amigo meu.
Agora, não aceito que pervertidos me chamem de lacaio, insinuando que presto reverência aos poderosos de plantão, exorcizando os fantasmas de suas culpas em longas e cálidas sessões.
O que faço, na verdade, é restaurar o equilíbrio psíquico e afetivo de políticos injustamente acusados de corrupção, de milionários, cuja única ‘culpa’ é a de não saber direito a origem das respectivas fortunas. E nisso políticos e milionários se igualam.
Ora, ambos, políticos e milionários, não têm como identificar a origem de cada voto nem de cada centavo com que formaram seus monumentais patrimônios.
Com a revolucionária prática que desenvolvi, coloco líder político e milionário ao mesmo tempo em divãs conjugados. Bastam alguns minutos, e minha prática de psicoterapia reflexa opera a fusão de ‘psiques’: o político fala das origens nebulosas de sua fortuna e o milionário explicita como financia eleições no andar de baixo e compra votos e licitações nos pisos superiores.
Dessa catarse emergem um político ‘limpo’ de suas culpas e um milionário mais comprometido com as questões de interesse coletivo – em vez de dar um caiaque para seu deputado ‘preferido’, certamente vai bancar uma lancha. Que serve para toda a família do ilustre parlamentar.
O resto é pura hipocrisia freudiana

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Postado por   P. Dante Scot |  12/11/2009 | 15:47:00
Lacan, Darwin e eu
Como lacaniano convicto – e convencido, dizem alguns detratores que não têm superestrutura (nem infra) para publicamente debater comigo – estudo há anos, e com a discrição que me é peculiar, o que chamo de idolatria reflexa, que muitos analistas de renome sequer sabem o que é.

Como o grande Kafka sustentou um dia que “conceber corretamente uma coisa e não entendê-la não se excluem mutuamente” , devo confessar neste artigo de abertura do blog que também eu estou buscando, progressivamente, entender a idolatria reflexa. E nesse caminho, trocando experiências enriquecedoras ( não me refiro ao preço das sessões, mas cobro o que acho que mereço; e se vendo autoconfiança...) com meus pacientes, tenho feito notáveis avanços.

À medida que vou me aprofundando na psicanálise, sob a inspiração segura de Lacan, me convenço de que “tudo é alma”, como se diz da crônica na literatura. Só que, nesse caso, para desmerecer a pobre crônica, dizem que ela é tudo e é nada. E, se tudo é alma, e a psicanálise é, em essência, o estudo da alma (anima, não esqueçam), então a ecologia, o ecos onde essa alma viceja é fundamental para que possamos compreendê-la.

Por isso, nos últimos anos tenho contextualizado as minhas experiências psicanalíticas no universo pantaneiro, incluindo a participação de animais silvestres em terapias que têm se mostrado muito eficazes, por exemplo, na redução de traumas de infância – de humanos, claro.

Tenho certeza de que se Lacan tivesse tido a oportunidade de viver, um ano que fosse, no Pantanal, Freud hoje seria apenas um mísero rodapé na história (antiga) da Psiquiatria.

O Pantanal é o espaço onírico onde a alma – ou seja, a essência plena do Homem, inclusive com seus mais profundos recalques, ‘neuras’ e virtudes – vem à tona com espantosa naturalidade. Especialmente quando o indivíduo urbanóide, perseguido por uma pintada (a onça mesmo, não solte ainda suas fantasias sexuais) ou confrontado com um jacaré faminto, se vê na contingência de reagir. Tenho testemunhado reações apocalípticas, devidamente registradas em vídeos, por cuja destruição meus pacientes oferecem pequenas fortunas.

O programa de regressão – e aí misturo uma pitada de Freud para deixar Lacan mais palatável – que desenvolvo em minha clínica-pousada (diárias a partir de trezentos dólares em chalés com divãs revestidos de couro de sucuri) tem propiciado momentos extraordinários.

Um anão de Tegucigalpa, que me procurou por indicação de Zé Laia (é assim que sempre o chamei, mesmo quando era presidente de fato e de direito), depois de uma semana de terapia no Pantanal se identificou de tal maneira (o não, não o Zé Laia) com um tamanduá bandeira, que se embrenhou com ele na mata. Volta às origens que agradaria, mais do que a Freud, Lacan & Cia, ao nosso Darwin.
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Em sua opinião, quais das medidas seriam mais pedagógicas contra a corrupção:
Criar mecanismo legal que obrigue todos políticos que exerçam ou tenham exercido mandato, em qualquer instância ou esfera, abrir o histórico da formação de seu patrimônio nos últimos vinte anos.
Conferir independência aos Tribunais de Contas em relação ao Legislativo, para que tenham autonomia constitucional efetiva.
Modernizar a Lei para que valores usurpados sejam logo confiscados e transformados em recursos para o combate à corrupção.
Nenhuma delas.
 
 
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