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Campo Grande/MS, 09 de Setembro 2010
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Oscar Gaspar |
30/11/2009 |
09:27:02
DROPS DE TROCO
*A MORTE, em circunstâncias estranhas, da médica Neide Mota, com registro cassado pelo CRM e denunciada por prática de aborto ‘no atacado’ em clínica que manteve por muitos anos no centro da Capital, exige apuração muito criteriosa. Ainda que haja indícios apontando para suicídio, a polícia deve levar a sério o tal jargão de que ‘nenhuma hipótese deve ser descartada’. Afinal, se alguém praticou um crime – não cabe discutir agora aspectos éticos e legais do aborto – em lugar de local amplamente conhecido e de ‘notória’ fama nessa prática, certamente que alguém ou alguns do ‘andar de cima’, com força e poder, lhe dava proteção, ainda que ‘indireta’. Como deveria ir a júri popular, certamente Neide Mota falaria ali mais do que já havia falado. Mortos não falam, claro. Mas, às vezes, deixam pistas e indícios de gritante eloquência. * TODA AÇÃO política que exija explicação ou justificativa posterior deve ser tida, no mínimo, como inábil. E tem bom potencial para se tornar desastrosa. * COM A EXIBIÇÃO do documentário ‘Claude Lévi-Strauss: Saudades do Brasil’, seguida de debate, a Biblioteca Central da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) dá partida, às 10 horas desta segunda-feira, ao projeto ‘Encontros de A a Z’, que mensalmente reunirá público interessado em assuntos das mais diversas áreas do conhecimento. O ‘Encontro’ de estréia, que terá debate com participação dos antropólogos Álvaro Banducci e Hilário Urquiza, professores da UFMS, tem toque de homenagem a Lévi-Strauss, recentemente falecido na França. E a quem Mato Grosso do Sul deve muitíssimo.
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Oscar Gaspar |
29/11/2009 |
12:32:18
O Governador e o pó
Auge da ditadura militar que infelicitou o Brasil, repórter de política encarregado de cobrir determinado Executivo estadual já não aguentava mais as provocações e piadinhas ‘bem humoradas’ com que o governador biônico o alfinetava. Todo tiranete, aliás, confunde cinismo com bom humor.
Nesse caso, o jornalista resolveu dar um basta ao aprendiz de ditador. Que mal ensaiou a brincadeirinha pré-coletiva e recebeu de bate-pronto: - Governador, o senhor cheira também de manhã? - Como é que é, seo moleque? - O senhor também cheira de manhã? – alterou levemente a pergunta. Longo e tenso silêncio na sala de imprensa, o tiranete de província, olhos esbugalhados e ricto de alucinado, não engolia a provocação. ‘Cheirar’ tinha, naquela época, o mesmo sentido ‘direto’ de agora: o de cheirar pó, cocaína. - Você está afirmando que eu cheiro em outras horas do dia e quer saber se eu faço isso TAMBÉM de manhã, seo canalha atrevido? Ou esse ‘também’ é para me juntar a outros que cheiram a qualquer hora? - vociferou o governador. - Esse negócio de horário e companhia é com o senhor – devolveu o repórter, com a dose ironia possível naquele momento. E, é claro, já pronto para sair dali preso. O incidente ali terminou, milagrosamente, sem a prisão do coleguinha. Com a ditadura ‘brochando’ – será que o antônimo de ‘desabrochar’ é ‘brochar’? Que língua, a nossa!!! – a coisa foi parar nos tribunais, com interminável discussão ‘semântica’ em torno do “também”. Meu amigo jornalista sustentava que, em ambas perguntas, apesar de formulações diferentes, teria indagado se o governador se incluía entre os que cheiravam. Simples assim. Com o arrastar do processo, a ditadura retraiu-se de gagá para caquética. O professor Pasquale ainda devia estar aprendendo Português com alguma desalmada professora que lhe infundiu esse ar esnobe com que nos esfrega na cara todo dia a nossa ignorância, o Silvio Santos também não instalara os mentecaptos universitários para se pedir ‘auxílio’ – e, por isso, anos depois o processo foi arquivado. Dizem que o governador cheirava mesmo. E esse coleguinha, cara-de-pau, só por isso pleiteou e conseguiu ‘anistia política’. Depois foi devidamente indenizado. Ele também cheirava ‘bem’. Se é que ‘bem’ pode significar ‘muito’.
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Oscar Gaspar |
29/11/2009 |
12:01:06
Estranhas entranhas dos TCEs
Veículo de circulação nacional prepara série especial sobre os tribunais de contas estaduais. O que se levantou até agora, em diferentes estados, somente para sustentar a pauta distribuída a repórteres encarregados de fazer a arqueologia de benesses, transigências, negociatas, nepotismos ‘simples’ e cruzados etc e tal, é coisa de arrepiar os cabelos de qualquer busto de Ruy Barbosa.
Com os TCEs deverão ser contempladas com um olhar mais atento também as assembléias legislativas, a que os tribunais deveriam (devem, pela letra da Constituição, mas não o fazem, por outras razões que as reportagens esclarecerão) estar subordinados, como órgãos de assessoramento legislativo. No caso específico do TCE de Mato Grosso do Sul, um dos pontos que mais instigam a curiosidade jornalística – e do STJ, do Ministério Público Federal, dizem – é o ‘parâmetro’ (ou falta de) de avaliação que sempre confere uma generosa ‘nota cem’ ao desempenho mensal dos senhores conselheiros, independentemente de quantos processos eles relatem ou julguem no mês.
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Oscar Gaspar |
28/11/2009 |
18:00:51
Desastre Futebol Clube
Dia desses, o poderoso time de futebol feminino (porque o masculino está caindo pelas tabelas) do Santos, patrocinado pela Copagaz, acabara de despejar uma goleada torrencial – algo na casa dos dois dígitos a zero – contra a equipe do Mixto Esporte Clube em pleno ‘Verdão’, templo do futebol cuiabano, quando o empresário Ueze Zahran, adentrou o gramado para “medalhar” vencedores e vencidos, como manda o modelito dos amistosos.
Fundador e presidente do Grupo Zahran – que, além da distribuidora de gás que patrocina o Santos e vende gás para grande parte do Brasil, é dono da Rede Matogrossense que, com seis emissoras em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem o monopólio do sinal da Globo nos dois estados – Ueze Zahran, um gentil e altivo cavalheiro sempre, foi saudado com prolongada e fragorosa vaia. Sem a habilidade – ou cara-de-pau – dos políticos, que tiram de letra ou desviam de ‘chaleira’ a mais ‘calorosa’ vaia, Ueze Zahran ficou paralisado com os xingamentos da torcida, incendiada por um poderoso bicombustível: seu time acabava de ser desmoralizado pela equipe patrocinada por Zahran, cuja rede de tevê é acusada pelos cuiabanos de ter defendido Campo Grande como subsede da Copa durante a disputa conhecida como ‘Guerra de 2014’. Com um punhado de assessores, Zahran procurou o amparo do prefeito Wilson Santos que, dizem, tinha ‘adivinhado’ (ah, a intuição dos políticos!!!) a vaia e estava a uma boa distância, disfarçado entre repórteres. O pior – nada é tão ruim que não possa piorar – viria depois. Não mais de uma centena de torcedores teriam vaiado ‘seo’ Ueze Zahran. Contudo, seu staff em Cuiabá resolveu ‘dar o troco’ ao Grupo Gazeta – detentor de rádios, emissora de tevê e jornal em Cuiabá, concorrente no segmento de comunicação, acusado de ‘inventar’ o apoio do grupo Zahran a Campo Grande. E o troco, senhoras e senhores telespectadores – ou melhor, navegantes deste tragicômico blog – viria sob a forma de uma ‘nota editorial’ narrando a vaia em repetidas leituras nos horários de pico de audiência das emissoras ‘globais’ em Mato Grosso. Entenderam? Não mais de trezentos vaiaram ou assistiram ao vivo à vaia. Os ‘assessores’ de ‘seo’ Ueze contaram para todo Mato Grosso repetidas vezes. E ainda promoveram o concorrente, ‘acusando-o’ de mobilizar os mal-educados ‘mixtenses’ e de passar à opinião publica que o Grupo Zahran não queria Cuiabá na Copa ou vice-versa. O Grupo Gazeta gostou demais da divulgação, claro. Quanto ao prefeito Wilson Santos, só se encontraria com Ueze Zahran dias depois, em São Paulo. Assumiu o compromisso de conseguir uma retratação da torcida oficial do Mixto. No mais, com um staf com essa habilidade, Ueze Zahran não precisa de torcida adversária para levar bola nas costas, ‘elástico’, drible-da-vaca etc e tal.
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Oscar Gaspar |
28/11/2009 |
13:04:52
Obrigado, Marco Eusébio
Com incompetente atraso, registro aqui a generosa referência com que o jornalista Marco Eusébio ( www.marcoeusebio.com.br ) brindou esse blog e seu autor.
Companheiro de viagem em boas e desafiadoras jornadas pela mídia impressa, Marco Eusébio agora mostra também na web seu fino faro e seu texto preciso e criativo. Coisa de jornalista competente. Que ele é desde sempre. Aliás, ao me dar carona, no último dia 25, em seu espaço virtual que se firma como dos melhores e mais acessados blogs do Estado, Marco Eusébio só confirma a tese de que o fermento da generosidade ou da solidariedade profissional é a competência. Competente, Marco Eusébio sabe que pode ajudar a divulgar os amigos da área. Isso só vai reforçar sua audiência qualificada. Brigadim, amigo.
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Oscar Gaspar |
28/11/2009 |
13:01:37
O que decidiu Delcídio?
A entrevista do senador Delcídio Amaral, quinta-feira, sobre as “relações perigosas” entre PT e PMDB em Mato Grosso do Sul, é a mais pura expressão do nonsense que desgoverna esse assunto.
Não estive na tal entrevista, mas como não vi nenhum desmentido posterior de Delcídio, suponho que os jornais ‘traduziram’ o que ele disse. Daí, então, dá para se deduzir que o senador entrou para o time de artilheiros petistas que chutam contra o próprio gol. Ora, se há poucos dias o próprio presidente Lula admitiu, na prática, que em alguns estados a candidata Dilma Rousseff terá dois palanques porque PT e PMDB terão candidatos próprios a governador, e se o novo presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, acabara de dizer que em Mato Grosso do Sul a aliança não deveria se reproduzir, o que será que faltaria para “convencer” (tomo de empréstimo o sugestivo conceito expresso por jornal de reportou a entrevista de Delcídio) sua excelência? Talvez empolgados ou inibidos pela sóbria elegância com que Delcídio Amaral desempenha suas performances midiáticas, nenhum coleguinha dessa mesma mídia tenha se ‘exposto’ a perguntar-lhe por que ele literalmente desautorizava a reunião de cúpula PT-PMDB, realizada em Brasília na quinta-feira? O “argumento” de que “a política é muito dinâmica (grifo do blog) e muita conversa ainda vai rolar até sair uma decisão definitiva(...)” é de uma superficialidade comovente. O que dá à entrevista de Delcídio Amaral um inescapável tom de ‘samba do crioulo doido’(a bênção, Stanislaw Ponte Preta) é que ela (a entrevista), além de esvaziar a importância da reunião da direção dos dois partidos – “tudo o que falaram foi sobre (?) hipóteses (...)” –, de ‘esquecer’ que publicamente Lula e Dilma já admitiram que há estados onde o casamento é improvável ( mas nem por isso o mundo se acaba ), entrega a bola, o apito, as camisas e o gelol ao governador André Puccinelli. - Será que já perguntaram para o lateral esquerdo se ele aceita? – indagou Delcídio Amaral, a propósito da possibilidade de dois palanques para Dilma em Mato Grosso do Sul. Sabe quem é o ‘lateral esquerdo’ de Delcídio? André Puccinelli, claro. Pelo menos segundo a versão do jornal, que ninguém questionou. Ora, é de uma obviedade ululante (nada a ver com Lula): será que precisa perguntar a André para saber a resposta que ele já deu mil vezes. Se for por aí, melhor ter a, digamos, coragem de dizer que o PT é André desde criancinha. Agora uma ressalva ‘geofutebolística’: “lateral-esquerdo”, o governador André Puccinelli?? Com essa leveza e esse ‘fino trato’ que dá à bola e aos adversários – aliás, dizem que ele não dá bola nem ‘pros’ companheiros – fica melhor escalá-lo de ‘becão rompedor’, talvez lateral “direito” e direto da canela ao pescoço. O texto que me serve de base ainda tem outros ‘pontos cinzentos’ que tornam a entrevista de Delcídio Amaral emblemática do que é, em todos os sentidos, uma não-entevista. “Mesmo sinalizando, nas entrelinhas (como é que alguém sinaliza nas entrelinhas é coisa que um dia saberemos), a possibilidade de aliança entre PT e PMDB em Mato Grosso do Sul, o senador fez questão de ressaltar (...) que o fato de ele achar que a decisão da cúpula dos dois partidos seja precipitada, não significa que ele seja favorável à união dos dois rivais”, diz o texto introdutório à uma conclusão de-fi-ni-ti-va de Delcidio Amaral: - Não estou defendendo nada (grifo do blog) só estou dizendo que a decisão da cúpula do partido é muito simplista para acreditarmos – sentencia o senador. Ora, se não é para defender NADA, por que é que chama uma coletiva tendo como mote o tema crucial da política estadual? Até porque, quando não se defende NADA, deixa-se à distinta platéia o direito de supor que se defende TUDO. Por fim, depois de dizer que a decisão da cúpula PT-PMDB não mereceria crédito por ser “muito simplista” – a história universal está cheia de decisões simples que salvaram nações – o senador Delcídio Amaral lembraria que o PT tem candidato próprio em Mato Grosso do Sul: “O Zeca é nosso candidato e a eleição interna do partido (...) fortaleceu ainda mais esse cenário.” Ora, supõe-se que o “cenário” a que se refere Delcídio seja exatamente o cenário de dois palanques, de que tratou a cúpula dos dois partidos em reunião cujo resultado ele classifica de não-confiável porque simplista. “E foi proclamada a escravidão (...)”,como diria o célebre verso do já citado ‘Samba do Crioulo Doido’, do providencial Stanislaw Ponte Preta.
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Oscar Gaspar |
26/11/2009 |
10:05:26
Adubo e ponderação
Água demais mata a planta, já dizia o poeta popular.
A afoita esperteza com que lideranças locais se apressaram em anunciar como certa e definitiva a instalação, em Mato Grosso do Sul, da estratégica fábrica de fertilizantes da Petrobrás, pode resultar em melancólica frustração. É claro que o simples vislumbre de que o Estado pode receber investimentos diretos em torno de R$ 3,5 bilhões em planta industrial que vai produzir insumos decisivos para setor fundamental da economia nacional. Nesse sentido, estaria justificada a indiscrição do governador André Puccinelli, que se antecipou ao governo federal e à própria Petrobrás, gerando um mal-estar que ainda não passou. Decisão desse porte, ainda mais em se tratando de uma empresa com o tamanho, a competência técnica e a responsabilidade estratégica da Petrobras – além, é lógico, de seus compromissos com os acionistas – não é baseada em ‘relações políticas’. Por isso, o senador Delcídio Amaral, que é da área e já foi diretor da Petrobras e ministro de Minas e Energia, trata de ligar o conector do bom senso, avisando, inclusive, que avaliações ainda estão sendo feitas pela empresa. Afinal, estamos falando de um projeto que assinalará para futuro previsível o fim da dependência do Brasil em relação a insumos essenciais para produção de adubos. Já o governador Puccinelli, cujo entusiasmo, nesse caso até ‘justifica’ ter ‘cantando antes de botar o ovo’, como dizem no interior, agora não pode e querer ganhar no grito, dizendo que se a fábrica não vier para Mato Grosso do Sul terá sido “mesquinharia”. Vamos com jeito. Todos nós queremos essa monumental fábrica de adubos, de empregos e de renda. Vamos, portanto, adubar nossa esperança com moderação. Já a disputa entre administrações municipais para sediar a fábrica, que nem sequer tem instalação assegurada em Mato Grosso do Sul, chega a ser tragicômica. E, claro, antropofágica. “Tudo nos pertence, só que não existe”, disse um dia o sábio Paulo Francis, a propósito do ufanismo brasileiro.
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Oscar Gaspar |
25/11/2009 |
00:59:36
Putsgrila, Puccinelli
O governador André Puccinelli, dizem os jornais, perdeu a linha (...mais o carretel e a agulha, diria meu amigo Perlingeiro) em Paranaíba.
Não é a primeira nem a décima vez que Puccinelli se enfurece ante manifestações que teria obrigação de encarar como ‘ossos do ofício’ de alguém que se dispôs a exercer mandato popular. Preocupa, contudo, a frequência e o grau de virulência com que o governador tem reagido ao que classifica como “provocações petistas”. Sem contar que várias fontes insuspeitas asseguram que o PT não inspirou nem estimulou o episódio de Paranaíba, ainda que se tratasse de uma clara ‘provocação’ partidária, tudo que Puccinelli NÃO deveria fazer era morder a isca, comprar a briga. Manter a altiva ponderação, atributo essencial do governante, impõe-se a quem não confunde exercício do poder com exibição de poder. “Carranca não é austeridade”. Se a memória decrépita não me engana, a frase é do então senador Paulo Brossard, referindo-se à cara feia de Geisel – e, o que é essencial, foi dita quando a ditadura, embora envergonhada, ainda estava em pleno ‘vigor’ e rigor. Destempero não é sinônimo de autoridade. Alguém deve dizer isso ao governador. Aliás, o melancólico episódio de Paranaíba expôs, em tons graves, exatamente como o descontrole de quem deve mandar com moderação redunda em flagrante – e justificada – desobediência. Policiais ignoraram ordens do governador para que prendesse as pessoas que protestavam de forma pacífica. Comandante-em-chefe das forças policiais do Estado, o chefe do Executivo – Puccinelli ou qualquer outro – em tese não pode ter ordens questionadas por seus comandados. Contudo, ao, digamos, ordenamento legal, sobrepõe-se o princípio da legitimidade ou mesmo da razoabilidade. Felizmente – inclusive para o próprio governador, para seu perfil político e até para sua performance eleitoral – os policiais desobedeceram ordens do chefe, pela boa e singela razão de que ninguém estava afrontando a lei ou ordem. Nem ofendendo a autoridade de sua excelência. Que bem poderia condecorar aqueles policiais, não por bravura ou heroísmo. Mas por... Desobediência – sábia e oportuna. Ainda que os policiais tenham agido – ou melhor, deixado de agir – não propriamente inspirados na virtude da tolerância e da justiça, mas no esperto instinto de sobrevivência (“o governador manda prender e vai embora, a gente prende e fica aqui...”), fizeram por Puccinelli o que todo o baboso círculo de puxa-sacos nunca fez. A sucessão de incidentes protagonizados por André Puccinelli, da qual o confronto ‘sexual’ com o ministro Carlos Minc foi ‘apenas’ o mais midiático, deixa no ar a suspeita de que o governador atravessa um momento de forte instabilidade emocional. Se não tiver amigos confiáveis, com independência e coragem para ajudá-lo, vai continuar chamando a polícia. E sendo ignorado por ela. Seria só cômico. Não fosse dramaticamente trágico. -------//------- Drops de troco: Dia desses, em uma solenidade no interior, alguém de mau gosto – e sempre há alguém com péssimo senso de oportunidade – retomou com o ‘desassunto’ do entrevero com Carlos Minc. Resposta ‘descontraída’, absolutamente ‘casual’ de Puccinelli: “Não tenho nada contra veado, não. Tanto que tenho dois no meu governo, um homem e uma mulher...” E nada mais disse nem lhe foi perguntado. Até porque os babosos circundantes estavam ocupados em rir da magistral sacada do chefe.
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Oscar Gaspar |
24/11/2009 |
10:47:39
A bomba e o traque
Não deu para entender a ‘mobilização misteriosa’ que as lideranças do PT montaram em torno da visita a Lúdio Coelho, ‘prenunciada’ dois dias antes como fato que ‘revolucionaria’ o panorama político guaicuru.
Se alguém achou que o tom de mistério – a prenunciar uma retumbante bomba a destruir as hostes adversárias – resultaria, ao ser desvendado, numa jogada eleitoral capaz de abater o moral (atenção: “o” moral, não “a” moral, que essa... deixa pra lá) dos adversários, então ‘achou’ muito mal. Ainda que a visita tenha algum simbolismo, não passa disso. Ver Zeca, Delcídio, Dagoberto Nogueira e Paulo Duarte ao lado de Lúdio Coelho é algo interessante como ‘curiosidade’. Mas parece uma fotomontagem – são tempos e ‘genes’ políticos diferentes. Caso não tivesse sido anunciado com aquele típico ‘mistério’ político que é o pretenso estopim do alarde, o encontro talvez tivesse maior repercussão. Lúdio Coelho recebeu a ‘comitiva’ como bom anfitrião recebe visitas, conversou de política e de representatividade do setor rural. Tudo muito bom, tudo muito bem. Só uma coisa: o PT não precisava ter criado o tal ministério prenunciando uma ‘revolução’ que não houve. Em termos de ‘factóide’, houve no mínimo, um esforço comovente para um ‘empate técnico’ com o governador André Puccinelli & coadjuvantes, que dias antes ‘vazaram’ que suas artes e astúcias já teriam ‘melado’ as eleições internas do PT e que a candidatura de Zeca já tinha sido implodida. Como se vê, falta de criatividade política não é privilégio de partido ‘a’ ou de sigla ‘b’. Afinal, anunciar “surpresa” que não surpreendente tem, como efeito imediato, desencanto ou frustração.
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Oscar Gaspar |
23/11/2009 |
09:48:57
O ciclo virtuoso do PT
Independentemente de qual seja a grande figura política que anunciará sua adesão ao PT de Mato Grosso do Sul, como promete lideranças do partido, a mobilização em torno das eleições internas de ontem já pôs ‘na rua’ o movimento pela volta de Zeca do PT ao governo do estado.
Proclamada como um ‘fato político marcante’, a adesão de um ex-adversário – ou seja, de alguém que desembarca da carruagem de André Puccinelli –, nesta segunda-feira (21/11), bem poderá ser a seqüência de um ‘ciclo virtuoso’ petista, instalado nos últimos dias. E que incluiu práticas frutíferas de exorcismo contra fantasmas internos, além de constatar atribulações nada desprezíveis no lado adversário. Não há como negar que a vitória de Leonardo Duarte sobre Ary Raghiant Neto foi, no mínimo, uma má aposta do grupo de Puccinelli. Ou uma ‘derrota flagrante’ do governador, como dizem os petistas. Na sequência surgem boatos de que Puccinelli, seu fiel escudeiro e presidente da Assembléia Jerson Domingos, mais os notórios ‘feiticeiros’ de sempre, preparavam uma ‘poção’ para melar o projeto de Zeca do PT com uma manobra nas eleições internas. Os ‘macumbeiros’ teriam falado demais, comemorado antes da hora, e a coisa gorou, “faiooouuuu”. Ontem, ao votar em companhia da ministra Dilma Rousseff, na verdade o presidente Lula reconheceu que as realidades estaduais não podem ser ignoradas. Na prática, fez um discurso para agradar os aliados do PMDB, ‘criticando’ os que petistas que “olham para o próprio umbigo”, mas já avisou que pouco pode fazer. E que a ministra Dilma Rousseff pode ter dois ou mais palanques apoiando-a. Para bom entendedor, meia palavra basta. Lula ‘batizou’, Dilma ‘crismou’. Ao ‘defender’ o compromisso com os aliados, a futura candidata à sucessão de Lula ressalvou que não poderia ser “fundamentalista”, pois é preciso "levar em conta as realidades locais, porque os interesses locais são legítimos". Alguém aí acha que Lula vai exigir de Zeca do PT que desista de disputar o governo do Estado, em nome da aliança com o PMDB?
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Oscar Gaspar |
22/11/2009 |
12:02:22
Corumbá e as armas do tráfico
Sem policiamento eficaz, Corumbá é, cada vez mais, porta de entrada de armas de ‘guerra’ que abastecem traficantes cariocas. A informação está em reportagem dos jornalistas Sérgio Torres e Joel Silva, publicada no jornal ‘Folha de S. Paulo’ deste domingo, 22/11/09.
“Não existe policiamento na fronteira Brasil-Bolívia na região de Corumbá, cidade considerada pela Secretaria de Segurança do Rio a porta de entrada de parte dos armamentos em poder do tráfico em favelas”, diz o texto, acrescentando que, em oito dias, os jornalistas atravessaram vinte vezes a fronteira, sem qualquer abordagem policial. Aliás, no único dia em que a reportagem viu policiamento ostensivo na fronteira foi a 10/11, quando o Exército fez uma operação nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. E sabem o que o Exército apreendeu na região de Corumbá? Cinquenta quilos de banana. Não bananas de dinamite, a fruta mesmo. Que foi devolvida ao boliviano ‘contrabandista’. A reportagem informa que metralhadoras ponto 30 e fuzis, “que podem ter derrubado um helicóptero no Rio em outubro, entram por Corumbá”, que desde 2007, 4º metralhadoras, quatro com brasão da Bolívia, foram achadas com traficantes cariocas. Pescadores inativos devido à piracema, período em que a pesca fica proibida, cobrariam R$ 150,00 pela travessia entre um e outro país. Sem perguntas sobre o que transportam, claro. O que incomoda é que só quem ‘fala’ na reportagem é a Secretaria de Segurança do Rio. Nem um ‘pio’ das autoridades policiais ou políticas de Mato Grosso do Sul. Se não foram procuradas para uma reportagem sobre assunto tão grave envolvendo o Estado, devem protestar junto ao jornal e dar a sua versão. Se foram procuradas e não falaram, faltaram ao dever de explicar como se deixou o Estado chegar a essa condição de porteira aberta livre para entrada de armamentos. Esse assunto ainda vai render.
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Oscar Gaspar |
22/11/2009 |
10:31:40
A rodoviária ‘atolou’???
Atenção, senhores passageiros:
São tantas dúvidas e suspeitas levantadas sobre, digamos, aspectos funcionais da nova rodoviária de Campo Grande, inaugurada com festança e muita propaganda, e imediatamente “congelada”, que o prefeito Nelsinho Trad deve uma explicação ao pessoal que lhe deu o mandato e bancou a obra – essa espécie híbrida, chamada eleitor-contribuinte. Já dizia a malandragem da velha guarda que tudo na vida é passageiro, exceto motorista e cobrador. Contudo, e embora rodoviária tenha tudo a ver com passageiro, Nelsinho Trad não deve apostar que essas suspeitas, ainda que não se sustentem, sejam “passageiras”. Sem informação oficial, especulações ou boatos ganham status de verdade. Uma delas: o novo terminal não teria espaço suficiente para manobras de ônibus em horários de pico de chegadas e partidas e – isso, seria o fim – plataformas de embarque/desembarque não teriam sequer altura para receber alguns ônibus de “três andares”. A empresa concessionária, que construiu o terminal e vai explorá-lo, diz que só a Prefeitura trata do assunto. Na Prefeitura, o máximo que se pode saber é que só o prefeito Nelsinho Trad fala ou autoriza alguém a falar. Se fosse uma estação ferroviária, a valeria como verdade a frase feita: ‘Tem boi na linha.’ Inaugurar uma obra inacabada é das coisas mais comuns em administração pública – desde que obedecidos dois pressupostos, conexos ou isolados: fim de mandato e disputa eleitoral. Só que Nelsinho Trad entregou a nova rodoviária há poucos dias, quase um ano depois de renovar seu mandato com folga, e a um ano das eleições em que só concorrerá se deixar a Prefeitura para concorrer a uma vaga no Congresso. Por que inauguraria uma obra que, ao não funcionar prontamente, lhe traria desgaste? Como, aliás, está trazendo. Aliás, dizem que o ‘passageiro’ mais incomodado dessa história é André Puccinelli. Um fiasco que dificultasse a partida do ônibus eleitoral da reeleição da plataforma da rodoviária da Capital transformaria Puccinelli em ensandecido “passageiro da agonia”. Por hoje, basta disso. Vai que a gente perde o ônibus, o rumo da prosa e, no caso, perde o rumo da própria rodoviária.
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Oscar Gaspar |
22/11/2009 |
10:25:43
O adeus a Garcia Neto
O ex-governador José Garcia Neto, 87 anos, não resistiu ao AVC que o vitimou no domingo passado, e faleceu sexta-feira, 20, em Cuiabá.
Ainda que os muitos e merecidos necrológios rezem que Garcia Neto foi o “último governador de Mato Grosso uno”, ou seja, do período pré-criação de Mato Grosso do Sul, esse posto – seja lá que importância histórica tenha – foi do corumbaense Cássio Leite de Barros que, vice, assumiu o governo quando Garcia se afastou para concorrer ao Senado. De todo modo, Garcia Neto foi o ‘governador da divisão’, ainda que pela negação, pois se bateu enquanto pode contra o desmembramento de Mato Grosso. Tive o duro privilégio de ‘conviver’ com Garcia Neto – ele governador do Estado, com toda a força que esse posto lhe assegurava com respaldo do regime militar, e eu, correspondente do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e colaborador frequente de Veja. Mesmo com alguns jornais, como o ‘Estadão’, sob censura, a abertura já dava seus primeiros sinais. Denunciei, com companheiros do JB e da Folha de S. Paulo, irregularidades e nepotismo no governo Garcia Neto, e fiz para Veja a matéria em que cunhamos o neologismo ‘oligarcia’, para denunciar a família do governador na administração. Agora, o outro lado: Garcia Neto, ainda que muitas vezes se enfurecesse com essas e outras matérias, nunca deixou de me receber – e tratar com leveza e respeito – em seu gabinete ou em sua casa. Era um democrata, com todas as contradições e paradoxos que a democracia abriga.
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Oscar Gaspar |
21/11/2009 |
12:35:11
Blog mina o castrismo
A jovem cubana Yoani Sánchez é titular do blog www.desdecuba.com/generaciony , um dos mais acessados e respeitados em todo o planeta. Semana passada, ela conseguiu um feito que fez tremer toda a blogosfera : conseguiu uma entrevista exclusiva com o Presidente Barack Obama, que respondeu a perguntas que ela enviara por e-mail. Por razões que logo se verá, Yaoni não pode sair de Cuba.
Dissidente do caquético – mas ainda e desde sempre violento e repressor – regime instalado por Fidel Castro na Ilha, Yaoni Sánchez faz o impossível para escapar às armadilhas e aos obstáculos que a ditadura lhe impõe. Contra tudo e todos (da senil gerontocracia cubana), ela consegue colocar na web o que muitos consideram o melhor e mais cortante (porque coerente) jornalismo de denúncia contra o castrismo decadente e desdentado, mas ainda mordendo doído nos sonhos de democracia do povo cubano. Há poucos dias, Yoani Sánchez foi seqüestrada e espancada por brutamontes da ditadura castrista quando se dirigia a uma das raríssimas manifestações mais ou menos contra o governo em Havana. Libertada horas depois, longe da manifestação e em estado tão lastimável que ficou imobilizada por vários e ainda anda apoiada em muletas, Yoani Sánchez não se calou. Como reconhecimento a sua determinação de servir à causa da liberdade, mesmo quando isso lhe custa por em risco a própria vida, a blogueira já ganhou vários dos principais prêmios internacionais de organizações internacionais. É claro que o governo cubano – que muitos intelectualóides brasileiros ainda insistem em defender – não permite que ela vá receber esses prêmios. Por isso, na semana passada, quando o presidente americano Barack Obama respondeu às perguntas que Yoani Sánchez lhe enviara, o universo do jornalismo, especialmente a blogosfera, entrou em êxtase perene. Transformado em ferramenta contra a ditadura e a repressão, um ‘simples’ blog pode apressar a volta da democracia a Cuba. Em tempo: o general-irmão que sucedeu Fidel no governo – no pior estilo das ditaduras ‘familiares’ – não respondeu, é claro, as perguntas que Yoani Sanches enviou também a ele.
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Oscar Gaspar |
21/11/2009 |
12:32:10
O PT e seus fantasmas
Uma das lideranças em ascensão dentro do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Paulo Duarte repetiu, na prática, sexta-feira (20), o conteúdo da nota ‘PTtecos & PTlecos’, veiculada aqui(ver abaixo) no dia anterior.
O PT precisa, antes de tudo, espantar seus próprios fantasmas. Um deles, aliás, atende pelo nome ‘Jairão’ e, como toda assombração que se preza, só aparece em de tempos em tempos. Para não queimar a ‘imagem’. No caso em questão, o ‘bicho’ troca o período de lua cheia pelo das eleições internas do PT. Fantasmas assim, ingênuos e ‘aparecidos’, podem até se tornar inocentes úteis, ectoplasmas a serviço da esperteza de terceiros. Mas raramente oferecem perigo real. Já as desconfianças mútuas de líderes com assento e mando na cúpula do partido, essas sim podem drenar forças e detonar projetos. Como se já não bastassem fantasmagorias ‘externas’, como essa estranha ‘poção’ que Puccinelli estaria fervendo em diabólicas panelas para detonar as pretensões de Zeca do PT já nas eleições internas do partido. Aliás, notas e falas petistas sobre a estranha manipulação atribuída a Puccinelli foram tão ou mais cifradas e misteriosas – por ‘esperteza’ ou falta de jeito – que a motivação da alegada maquinação.
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Oscar Gaspar |
19/11/2009 |
10:23:00
Bandeiras sem banda
Se ninguém deu a mínima para 15 de novembro, dia da Proclamação da República, outrora celebrado em prosa e verso, imaginem, navegantes desta nau, se alguém vai lá se lembrar que hoje, 19, é o Dia da Bandeira.
Antigamente, a Bandeira do Brasil, dos Estados e do Município, se houvesse - eu nasci num lugar que não tinha bandeira até dez anos atrás - erm reverenciadas em seu dia com fanfarras e bandas. Hoje ninguém nem olha de banda pras coitadas. Animadas por teóricos de uma pretensiosa objetividade – salve o grande Nelson Rodrigues com seu brado cortante contra os “idiotas da objetividade” – as escolas deixaram de ensinar os valores básicos de cidadania, como respeitar os símbolos pátrios e reverenciar sua história. Hoje, não só a maioria dos estudantes, mas também dos professores, não sabe balbuciar mais que dois três versos esparsos do Hino Nacional. E, nesse caso, não adianta pedir “ajuda aos universitários”: eles não aprenderam quando crianças ou adolescentes, portanto são, salvo exceções, ‘analfabetos cívicos’. Os mesmos “idiotas da objetividade” de mestre Nelson Rodrigues dizem que a ditadura militar matou o ensino dos valores cívicos ao confundi-los com o culto, nas escolas, ao próprio regime. Isso em parte é verdade. Mas em décadas de plena democracia não tivemos competência nem disposição para retomar o ensino dos valores básicos de cidadania. Aliás, foi preciso que Madonna viesse nos dar uma lição de moral e cívica. Ou não foi a popstar que, emocionada diante do singelo donativo de sete milhões de dólares com que Eike Batista oxigenou sua ‘causa social’, defendeu o ensino, nas escolas, de princípios e valores cidadãos? E por falar no esquecido ‘Dia da Bandeira’, quando é que algum deputado terá disposição cívica para propor uma lei que autorize a gente a “desvirar” a bandeira de Mato Grosso do Sul? Na eufórica pressa de ‘inaugurar’ o Estado, ninguém se deu conta de que o imenso campo azul, ou seja, o céu onde ‘brilha’ a estrela de Mato Grosso do Sul, repousa no plano inferior, enquanto o verde, que certamente representa a Natureza, Pantanal e nossas riquezas agrícolas, está no planto superior. No mínimo um paradoxo semiótico (essa doeu, mas vamos lá...) Corrigir esse escorregão de representação ‘geográfica’ não agrediria a memória do Estado, não diminuiria o respeito aos criadores do símbolo maior e, claro, conferiria uma coerência estética e, digamos, bom senso ele.
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Oscar Gaspar |
18/11/2009 |
15:18:29
PTtecos & PTlecos
De vez em quando a gente tem todo direito de concordar com os que dizem, por constatação simples, maldade enrustida ou despeito explícito, que o mais ferrenho adversário do PT é o próprio PT.
Todos sabem que André Puccinelli move céus, terras e infernos na tentativa de impedir que Zeca do PT dispute com ele o governo do Estado. Pois não é de ver que, quando o bornal de pedras de Puccinelli parece ter se esvaziado ou seu estilingue se esgarçado, sempre surge um petista de carteirinha – e às vezes até com mandato – para ‘ressuscitar’ o tal do debate. E, claro, dar gás e voz para a versão de Puccinelli. Do sempre ponderado José Genoino, para cima, para baixo e para os lados há sempre algum petista disposto na reaquecer a conversa sobre... Deixa pra lá, para não reprisar o assunto. Mas alguém tem de avisar o pessoal para não requentar o café do André toda hora. Ele sabe fazer isso sozinho.
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Oscar Gaspar |
18/11/2009 |
15:07:51
Fósforo e gasolina
André Puccinelli com Roberto Requião no mesmo espaço geográfico de um Estado – não exageremos, de uma cidade – significa sério risco de algum destempero verbal com alto teor de explosão. Hoje, na pose para foto oficial da reunião do Codesul, Requião, o incendiário, ainda riscou um palito. Mas André, por um desses inexplicáveis milagres, não inflamou. Marco Eusébio conta em seu blog que o governador sul-mato-grossense engoliu a provocação do colega sobre a possibilidade de desfilar na parada gay estadual, para desafiar o ministro Carlos Minc. Que em recente ‘bate-boca’ (como em todo bate-boca, ambos perderam a razão, se é que alguém tinha, nesse caso) aconselhou André Puccinelli a “sair do armário”. Requião, cujo maior ídolo político é o venezuelano Hugo Chavez, que já apareceu na tevê comendo mamona diante de um incrédulo Lula, não tem limites para seus rompantes. A assessoria de André, que nesse quesito não deve nada ao paranaense, deveria preservar uma distância mínima de mil quilômetros entre os dois. O desafio maior é que André Puccinelli tem interesses – muitos interesses, dizem – em Curitiba, cidade onde estudou e tem raízes profundas de uma árvore com muitos galhos.
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Oscar Gaspar |
17/11/2009 |
15:52:03
Breve crônica de mal crônico
*Tem jeito de puro escárnio, a pose com que certas figuras condenam a corrupção, citam como “lenta e vergonhosa” a evolução do Brasil nos índices da Transparência Internacional, apontam o dedo acusador para ‘a’ ou ‘b’ e ainda são capazes de ‘analisar’ as diversas causas sociais e históricas da corrupção.
*Alguns desses ‘arautos da dignidade’ amealharam fortunas no pasto sem aramado da corrupção, vendendo ‘promoção’ ou comercializando ‘proteção’ aos ‘capatazes’ do poder. *A crônica escabrosa desse mercado sujo tem lances sórdidos mesmo em história tão curta como a de Mato Grosso do Sul. *E olhem, caros navegantes, que não se fala aqui da ‘baixa’ corrupção, daqueles chantagistas tão manjados, que tomam dinheirinho de políticos com crimes (eleitorais ou não) em cartório, de empresários sonegadores e de falsários notórios. *Está-se falando aqui dos que grandes gatos pardos, nutridos por décadas com a corrupção do andar de cima, às vezes disfarçada sob formas ‘legais’ de concessões e empreitas que fazem mais voltas que rios pantaneiros até chegar à conta do destinatário. *Portanto, desconfiem, caros navegantes, de muita pose ou firula. Discursar em praça pública contra a corrupção é fácil. E ajuda a não ter que explicar o milagre da multiplicação.
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Oscar Gaspar |
17/11/2009 |
08:15:43
Garcia Neto e o MS
Vítima de um acidente vascular cerebral, o ex-governador de Mato Grosso – 1975/78 – José Garcia Neto, 87 anos, continuava em estado crítico na manhã desta terça-feira, 17/09.
Importante liderança política do então Mato Grosso uno, nas décadas de 1960-70, Garcia Neto, sergipano de nascimento, teve papel proeminente nos momentos inaugurais da história política de Mato Grosso do Sul. Ainda que via da negação: bateu-se até o último momento contra a divisão que resultaria no novo estado. Vencido pelo ‘argumento’ do poder ilimitado de Geisel – que se inspirava em boa parte no guru ‘revolucionário’ Golbery do Couto e Silva, autor do importante livro ‘Geopolítica do Brasil’, que tratava, também, da redivisão territorial do país) – Garcia Neto não esperou no governo pela criação de Mato Grosso do Sul. Deixou o lugar para seu vice, o corumbaense Cássio Leite de Barros, que, é claro, era um entusiasta da criação do novo Estado.) Os sul-mato-grossenses, contudo, não devem ver Garcia Neto apenas como um antidivisionista empedernido ou um ‘nortista’ radical. Como governador, era natural que não quisesse ver o Estado sob sua direção ser partido ao meio. Saiu do governo antes, mas Mato Grosso não conseguiu se eleger senador em 1978, vaga que perdeu para Benedito Canellas.
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Oscar Gaspar |
16/11/2009 |
00:01:27
A Graça, o púlpito e a urna
Filho mais velho do missionário R.R.Soares, fundador e dirigente da Igreja Internacional da Graça de Deus, o ministro David Soares, competente pregador que acaba de se lançar também como cantor gospel, tem sido presença constante em Mato Grosso do Sul. Nos púlpitos e em territórios menos sagrados da política.
Devidamente inscrito no PDT sul-mato-grossense, em tempo e hora regimentais para disputar a próxima eleição, David Soares dirige cultos aos domingos no novo templo da IIGD da Av. Calógeras, em Campo Grande. As incursões evangelizadoras por cidades do interior têm atraído bom público. Ainda preliminares, as conversas apontariam hoje para a candidatura de David Soares como suplente de Delcídio Amaral na disputa pela renovação de seu mandato de senador. Essa alternativa dá como certa a composição PDT-PT, causa de recente racha do partido trabalhista, que acabou expurgando o grupo que pretendia apoiar o PMDB de Puccinelli. Ainda na última quinta-feira, David Soares, acompanhado de diretores de suas emissoras em Campo Grande, participou do jantar promovido para arrecadar dinheiro para a campanha de Zeca do PT ao governo do Estado. Aviso aos navegantes: muito além de seu carisma pessoal e da força da Igreja da Graça que possa eventualmente ser traduzida em votos, David Soares leva a tiracolo o peso nada desprezível de três emissoras de tevê: TV Guanandi (rede Bandeirantes) e TV Campo Grande (SBT) na Capital, e RIT (Rede Internacional de Televisão, da própria igreja) em Dourados.
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Oscar Gaspar |
15/11/2009 |
11:01:39
Lévi-Strauss e nossa ignorância
Considerado um dos mais importantes intelectuais do século 20, o antropólogo Claude Lévi-Strauss morreu em Paris no dia 31 de outubro, aos cem anos. Criador do estruturalismo, Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura. Enquanto a imprensa mundial, universidades e academias dos quatro cantos do planeta reverenciam a memória desse extraordinário cientista social, em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o mais rotundo e patético silêncio. Com a honrosa – e ainda assim muito discreta – da UFMS, cuja biblioteca central vai inaugurar um espaço/tempo cultural (‘Encontros de A a Z’) com um debate sobre o filme ‘Saudades do Brasil’, de Maria Maia, nem pio nem sussurro da ‘intelectualidade’ e, claro, menos ainda de nossa esclarecida classe política. Sempre prontos a votar ‘moção de pesar’ por qualquer defunto que deixe como herança pelo menos um potencial voto de parente, e a batizar rua, estrada, escola ou banheiro público com o nome de qualquer ‘liderança’ que bata as botas, óbvio que nossos deputados e vereadores em geral não teriam tempo – tempo e cultura ou nem tempo nem cultura, diriam os estruturalistas – para desconfiar sobre o que teríamos nós a ver com esse velhinho de cem anos chamado Claude Lévi-Strauss. Pois bem. Entre os anos de 1935 e 1939, Lévi-Strauss, um dentre os vários intelectuais europeus trazidos para a então ainda embrionária Universidade de São Paulo (USP) visitou (estudou) as tribos Caduveu, Bororo, Nambikwara, Mundé e Carajá, todas em território do então uno Mato Grosso. Realizadas com as dificuldades facilmente imagináveis para aquela época, das pesquisas e reflexões dessa longa viagem de observação e convívio com nossos indígenas – documentados com milhares de fotos – despontariam as referências para a própria teoria do Estruturalismo, e apontamentos essenciais para o livro ‘Tristes Trópicos’, considerado sua obra-prima. Atenção, senhoras e senhores senadores, deputados, vereadores, governador, prefeitos, professores universitários, notáveis acadêmicos imortais estaduais e municipais (ai): Claude Levi-Strauss pôs o Mato Grosso de então – e, portanto, também Mato Grosso do Sul – no mapa da Antropologia, da ciência social, nos anos trinta do século 20. O silêncio oficial – decorrente da ignorância – em torno da vida e obra de um intelectual, cuja extraordinária relevância mundial foi em parte construída com pesquisas que realizou em nosso Estado, denuncia a nossa indigência intelectual. Tem mais. Até logo.
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Oscar Gaspar |
14/11/2009 |
12:05:36
Remover o monstrengo
Depois de ‘inaugurar’, com pompa, circunstância, foguetório e muita mídia, o prédio da nova rodoviária de Campo Grande, sem, contudo, ter as mínimas condições de cololcá-lo em funcionamento, o prefeito Nelsinho Trad pode, por outra via, recuperar-se da derrapagem.
Não precisa ser arquiteto, urbanista ou coisa afim, para avaliar que a transferência do ‘camelódromo’ para o escabroso edifício – ‘reconstruído’, claro – onde hoje funciona a rodoviária projeta-se como promissora alternativa. Em primeiro lugar, a idéia de demolir o ‘monstrengo’ arquitetônico – do que mais se poderia chamar um ‘microondas’ gigantesco, com jeito de arapuca ou casa de pombo? – para expandir o corredor cultural na área central, vale por si mesma. Em segundo lugar, a transferência dos ‘importadores’ para o prédio da atual rodoviária pode transformar o que é hoje um gigantesco pardieiro em centro comercial importante. Com grande contribuição para a ‘regeneração’ urbanística, econômica e social do centro de Campo Grande. Aliás, foi exatamente o que fez a cidade de São Paulo há algumas décadas, quando tirou a rodoviária do velho prédio próximo à Estação da Luz. O shopping popular instalado ali deu outros ares à região. E funciona até hoje. E, pelo jeito, a rejeição inicial dos comelôs já foi demolida na primeira reunião com Nelsinho Trad. Afinal, não é sempre que camelô pode virar lojista em shopping de importados. Quanto á nova rodoviária, é bom que o prefeito agilize as condições para pô-la em funcionamento. A “explicação” que andou circulando por aí, de que a administração municipal não iniciaria a operação do novo terminal antes janeiro por temer que o grande fluxo, com as viagens de fim de ano, pudesse complicar as coisas, é mais confissão do que justificativa.
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Oscar Gaspar |
14/11/2009 |
11:51:39
Cabral é só Madonna
Nessa sexta-feira 13, enquanto milhares de fluminenses amargavam a tragédia dos temporais e enchentes, o governador Sérgio Cabral Filho desfilava com Madonna por trechos ‘cenográficos’ de favelas cariocas.
Era como se a cidade do Rio não fosse a capital do Estado do Rio e Sérgio Cabral não tivesse absolutamente nada ver com a situação caótica de milhares de famílias – muitas desabrigadas, expostas a riscos de epidemias, sem água ou comida. Às 20h14, o G-1, portal de notícias da Globo, informava que a popstar chegara ao Morro Santa Marta, em Botafogo, por volta das 18h30, acompanhada do governador Sério Cabral, para conhecer o projeto ‘Ação Social pela Música do Brasil’. O mesmo G-1 dava conta, às 20h58, que já eram quatro os municípios em situação de emergência e que quase três mil pessoas estavam desabrigadas ou desalojadas. Ao todo, 35 mil pessoas teriam sido afetadas pelas chuvas no Estado do Rio. Só no município de Belford Roxo, a Prefeitura registrou 14 desabamentos e 27 deslizamentos de terra. Por mais que seu governo estivesse agindo, é inadmissível do ponto de vista ético – e uma inominável estupidez político-eleitoral, claro – que o governador de um Estado atingindo por calamidade natural dessa magnitude possa simplesmente “esquecer” a desgraça de milhares de patrícios para paparicar a popstar. Pândego Cabral. Para não dizer mais, em respeito aos navegantes.
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Oscar Gaspar |
14/11/2009 |
11:44:41
Crônica da morte autoanunciada
Com 175 anos de circulação e o terceiro mais antigo jornal brasileiro, o ‘Monitor Campista’, de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio, sai de cena domingo, dia 15/12.
A informação está no Comunique-se – www.comunique-se.com.br – de longe o mais importante portal sobre jornalismo e comunicação, mas ignorado, infelizmente, pela maioria dos jornalistas e ‘comunicólogos’ , seja lá o que esse barbarismo pós-moderno queira dizer. Voltemos ao ‘Monitor Campista’. Primeira redação da América do Sul a contar com luz elétrica, o jornal foi fundado em 4 de abril de 1834 e é propriedade dos Diários Associados – ou do que resta do império de comunicação criado pelo controvertido e extraordinário Assis Chateaubriand. Que, aliás, fundou em Campo Grande o Diário da Serra, por muitos anos o mais importante jornal da região. O emblemático ‘Monitor Campista’, com morte anunciada para este domingo em suas próprias páginas – amarga ironia – vai desaparecer principalmente porque a Prefeitura de Campos deixou de publicar o Diário Oficial do Município no jornal, como fazia ao longo dos últimos cem anos. A causa da morte do centenário do quase bicentenário ‘Monitor Campista’ é a que tem vitimado centenas de veículos impressos – dependência umbilical de dinheiro público. Que, aliás, corta dos dois lados. Quando a verba pública é a principal fonte de financiamento, é quase certo que a independência editorial em relação aos poderosos de plantão, já era. Quando essa fonte, mesmo que lícita e limpa, seca, provoca a morte do veículo por inanição.
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Oscar Gaspar |
13/11/2009 |
11:47:49
Bom dia para começar
Sexta-feira, 13. Bom dia, navegantes.
Depois de tantas idas e vindas, ponho o bloco na rua a bordo desse blog, justamente numa ‘sexta,13’. Coincidência, é claro. Sem desafio nem temor aos tremores que essa coincidência de calendário desperta nos mais supersticiosos. No creo em brujas, pero... Creio mesmo é no apoio objetivo e na solidariedade profissional e humana de amigos de sempre. Como Lucimar Couto e Ariosto Barbieri. Sem eles, não teria posto o blog na rua. Henrique Medeiros, Chico Maia, Zé Roberto Santos, Wilson Nascimento Pereira também estão entre aqueles a quem serei sempre agradecido pelo apoio e o estímulo. No mais, meus caros, vou procurar dignificar esse espaço e merecer o carinho de sua atenção. Como diriam os locutores de rádio dos velhos e bons tempos.
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Oscar Gaspar |
13/11/2009 |
11:42:29
Blecaute, Itaipu e choque elétrico
Pior que o blecaute foi o curto circuito generalizado que levou o Governo, e agências ‘independentes’ como a Aneel, a se uma sequência de ‘explicações’ precipitadas e justificativas inconsequentes.
Até agora ninguém do governo convenceu ninguém. Nem mesmo aliados que conhecem do setor. O senador Delcídio Amaral, por exemplo, que tem toda uma carreira profissional no setor energético, é um homem educado e tal. Por isso, talvez, não tenham mandado para o raio que o parta aquela versão apocalíptica de raios em seqüência. Mas, atenção. O colossal curto circuito teve o efeito de monumental tratamento de choque para despertar algumas mentes sobre um tema que parecia ter definitivamente “esquecido’, embora muito recente. O Paraguai, também dono de Itaipu, ficou também às escuras. Lá como cá, o blecaute deve ter oferecido a contrapartida da pausa para a reflexão. Por isso, nos próximos dias vamos ouvir falar muito sobre a recente renegociação dão preço que o Brasil paga ao Paraguai pela energia que compra da parte guarani de Itaipu. Há indícios de que a generosidade do Brasil na renegociação com o Paraguai teria sido turbinada por caudalosas ‘comissões’ e ‘incentivos’ capazes de fazer Solano Lopez e o nosso Caxias fazerem uma aliança fantasma para cobrar, com muito energia, ética e decência. Ou seria ética e decência com energia. O blecaute pode ter sido um desastre para negociadores informais do remendo malfeito no Tratado de Itaipu. Não desligue o interruptor.
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