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Campo Grande/MS, 09 de Setembro 2010
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Postado por
Oscar Gaspar |
28/01/2010 |
19:03:31
Dilma, Trad e os fantasistas
São tantas emoções...Ou melhor, especulações, digressões, avaliações, análises, conjecturas e suposições sobre a declaração de amor, ops, declaração de apoio do prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad à candidata petista à Presidência, ministra Dilma Rousseff, que o blogueiro aqui se sente no direito de decantar a sua conclusão pessoal, definitiva: imitando os mineiros da cepa e da gema, Trad anunciou que vai apoiar Dilma para que todos pensem que ele NÃO vai apoiar Dilma. Mas, de fato, ele vai apoiá-la. Óbvio? Nem tanto.
Analistas políticos e no Brasil todo alguém com instrução de analfabeto funcional se julga analista político são fantasistas e fantasiosos. E pensam que os políticos também agem assim, aluados e aloprados. Ou, então, supõem que todos políticos são geniais, que tomam uma decisão de olho nos desdobramentos que se darão daqui até 2074. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nelsinho Trad decidiu-se por apoiar Dilma, é de se supor, pelo exato e constrangedor motivo que teve a coragem de expor: POR DINHEIRO. Não foi isso que ele disse? Por gratidão ao apoio expresso em recursos, investimentos, dinheiro enfim garantido pelo governo Lula, via PAC da Dilma, para Campo Grande. Claro que, como afilhado-mor de André Puccinelli, Nelsinho Trad botou no padrinho um modelito de saia justa com a qual o italiano vai ter que rebolar nos próximos dias ou meses. Afinal, antecipando-se ao governador e seu decantado líder na formalização do apoio à candidatura Dilma Rousseff, Nelsinho Trad deixa, no mínimo, alguma dúvida quanto a sua subordinação política a André. Que se saiba, liderado segue líder. E, nesse caso, se o governador se decidir por Dilma, estará seguindo indo atrás, acompanhando seu liderado Nelsinho Trad. Já quanto a ministério de eventual governo Dilma, prometido desde agora a Nelsinho Trad em troca de antecipação de apoio, corre por conta das fantasiosas especulações dos fantásticos fantasistas que mariposam cenas e cenários políticos. Por falta de verdades objetivas, viram profetas, apostam na memória curta e nem estão aí se suas perorações não passem de... perorações. Depois de alguns mandatos legislativos e de se reeleger prefeito de uma Capital, Nelsinho Trad não seria ingênuo para apostar suas fichas no longínquo horizonte em política, amanhã é um lugar muito distante em que, eleita Dilma, cairia em seu colo um ministério. Pode, claro, até ser ministro de Dilma, mas não por esse enviesado mercado futuro. Quanto a André Puccinelli, mesmo que Nelsinho Trad decante seu compromisso com sua reeleição para governador, a ida do afilhado, sem a sua bênção antecipada, para os braços de Dilma, foi, sem dúvida, um duro golpe. Talvez o primeiro gesto explícito de libertação, proclamado pelo prefeito. Puccinelli sabe que, pelo menos com os Trad, sua liderança tem prazo de validade.
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Oscar Gaspar |
28/01/2010 |
18:53:13
André nega PM; Nelsinho agradecerá
NÃO é premonição, visão ampliada, sensibilidade política, nada disso. Apenas o velho é ululante óbvio rodrigueano. No dia 27/01, antes, portanto de o prefeito Nelsinho Trad formalizar ao Executivo estadual pedido para que a Polícia Militar fosse guardar as unidades de saúde de Campo Grande, o blog (veja o post Trad e seus fantasmas reais) dizia que se o governador André Puccinelli não cedesse policiais militares estaria evitando uma ilegalidade e contribuindo para que Nelsinho Trad não cometa um grave erro político.
Primeiro, o secretário de Segurança Pública Wanturi Jacini alegou, diplomaticamente, falta de efetivo etc e tal. Em seguida, André Puccinelli passou a régua na negativa, ao afirmar, com razão, que cabe à Prefeitura providenciar segurança para suas instalações. Nelsinho Trad ainda é guri, no melhor dos sentidos, e, mais dia, menos dia, vai descobrir que a negativa de André pode ter evitado que ele, prefeito, corra o risco de ser responsabilizado por um desastre político irreversível. Primeiro, porque o problema da saúde pública em Campo Grande, todos sabemos, é falta de médico ou de gestão eficaz ou das duas coisas. Portanto, chamar a polícia é de uma insensatez política, social e humana sem tamanho. Em segundo lugar, mas muitíssimo relevante e perigoso: imaginemos que policiais militares, estressados por um longo plantão à porta de uma unidade de saúde, se defrontem com alguém que, desesperado à procura de atendimento para um filho, já tenha levado duas ou três portas na cara. E leve mais não ali, por falta de médico ou seja lá pelo que for. Estão aí os elementos para a combustão, a explosão, o conflito. Um entrevero entre policiais e impacientes parentes de pacientes, com feridos ou mortos e a carreira política do prefeito seria enterrada no ato. Antes do enterro de eventuais vítimas. Nelsinho Trad fica devendo mais essa a André Puccinelli. Afinal, entrar para a história como o prefeito que militarizou a rede pública de saúde seria referência nada lisonjeira. Principalmente para um prefeito médico. Ou médico prefeito.
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Oscar Gaspar |
27/01/2010 |
11:01:56
Trad e seus fantasmas reais
Voçorocas, muriçocas, rede municipal de saúde de Campo Grande transformada em caso de polícia...O prefeito Nelsinho Trad não precisaria, definitivamente, de mais nada para dizer que tem um começo de ano azedo.
Só que Nelsinho Trad (PMDB) parece gostar de relações perigosas. Pelo menos do ponto de vista político. Isso talvez explique porque o prefeito decidiu abrir mais duas frentes de combate: rebaixou o percentual do repasse para a Câmara Municipal e ‘precipitou’ o anúncio de seu apoio. Com alto poder de combustão política, essas duas novas iniciativas poderiam ser detonadas mais à frente, em momento mais ameno. Porém, olhando assim, de longe e de fora, parece que o prefeito campo-grandense é adepto da ‘teologia’ de que sem é pra vir vendaval, depois granizo, então que venham vento e granizo juntos. Depois a gente vê o que faz. Com a gigantesca voçoroca da Avenida Ceará escancarando uma emblemática ‘boca’ que engolirá quatro milhões de reais – a ‘dispensa’ de licitação é tema para outra hora – e um naco da aura de eficiência da administração municipal, Nelsinho Trad já teria um ‘bom’ problema para começar 2010. Afinal a enorme erosão exposta em um dos pontos nevrálgicos do sistema de transportes de Campo Grande, é só lado mais visível (está na banda rica da city) da deterioração de centenas de quilômetros de vias públicas em consequência das chuvas. Acrescente-se à voçoroca, as horrendas hordas de muriçocas que, em ondas sucessivas de aedes ageypti, se abatem sobre a capital e se corporificam nos míseros e mortais munícipes sob a forma da indecente e insidiosa ‘dengue’. E ganham proporções de novo epidêmicas, quaisquer que sejam as estatísticas e referências que se usem. Com o fantasma da epidemia dengosa engrossando a demanda, o sistema de saúde municipal expõe sua vexatória fragilidade estrutural, suas fraturas e luxações e feridas mal curadas: faltam médicos, faltam políticas consistentes, regionalização eficaz, hierarquização e por aí afora. O que nem o mais ácido crítico do sistema de saúde municipal ou o mais ferrenho adversário político de Nelsinho Trad seria capaz de ‘suspeitar’ é que está faltando, imagem, segurança, braço armado, no sistema de saúde. Não, não é ‘guarda’ armado de bombas costais para disparar fumacê de detonar os mosquitos da dengue, não. Diz Nelsinho Trad que está faltando a policiamento mesmo, homens armados de cassetete e revólver, para reprimir os impacientes pacientes que esperam por horas ou dias nas filas das doentes e dolentes unidades de saúde municipais. Seria cômico, se não fosse dramaticamente trágico, que o prefeito da Capital anunciasse, sem qualquer constrangimento, que está pedindo ao governo do Estado que a Polícia Militar seja usada para conter os ‘ânimos’ dos desanimados munícipes que, cansados de esperar, podem ser, presume-se, considerados uma ameaça a médicos, enfermeiros, técnicos e às próprias instalações. Mesmo sendo médico considerado e político habilidoso, Nelsinho Trad não se deu conta de que a ‘rebelião da impaciência’ promovida por gente que não suportava mais esperar em uma unidade de saúde, não é consequência da falta de policiamento... mas de atendimento digno, da falta de médicos e de respeito. Nesse caso, se o governador André Puccinelli, também médico, não ceder policiais militares para guardar unidades de saúde do município, estará evitando uma ilegalidade e contribuindo para que Nelsinho Trad não cometa um grave erro político. Mas o prefeito Nelsinho Trad, dizíamos lá no longínquo começo, é homem que, parece, gosta de viver perigosamente. Pois não é que, mesmo com tudo isso ainda ‘inventaria’ mais. Ao reduzir, de 5% pra 4,5% do Orçamento, o percentual de repasse para a Câmara Municipal, comprou briga com o Legislativo. Afinal, mexeu na mais sensível e explosiva questão ‘institucional’: a ‘receita’ da Casa que, como se sabe, não gera um centavo dos milhões que torra. De todo modo, esse impasse pode custar caro a Nelsinho Trad. Contudo, tudo isso ainda parece pouco para Nelsinho Trad. Ninguém sabe se por intuição política, por matemáticos cálculos ou maquiavélicas deduções, o prefeito peemedebista decidiu antecipar o anúncio formal de seu apoio à petista Dilma Roussef. Com seu partido, o PMDB, na coligação que sustenta o governo Lula e, formalmente convidado a integrar a chapa da própria Dilma com a indicação de Michel Temer para vice, SERIA natural que Nelsinho Trad proclamasse seu apoio à ministra. ‘Seria’, se o governador André Puccinelli, que se considera mentor, padrinho, paraninfo e patrono político de Nelsinho Trad, não tivesse de enfrentar aqui a candidatura de Zeca do PT, seu arquiinimigo e, claro, parceiro preferencial de Dilma. O prefeito, dizem, ainda não comunicou formalmente sua decisão a André Puccinelli. Mas o fato de ter antecipado ao distinto público sua decisão de ‘ir com Dilma’, antes de fazê-lo ao voluntarioso governador, pode lhe trazer incômodos tão o mais sérios que as voçorocas e muriçocas.
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Oscar Gaspar |
25/01/2010 |
10:44:05
Zeca & Zé
Com a reinstalação de José Dirceu – de direito, porque de fato ele sempre esteve no comando das articulações que exigem maior fôlego – na ponte de comando que dita a proa do PT no rumo das eleições de 2010, Zeca do PT tem assegurada a tranquilidade de que seu projeto para disputar com Puccinelli o governo de Mato Grosso do Sul terá o aval da cúpula petista.
Zé Dirceu, que na última passagem oficial por aqui prometeu todo empenho – e isso inclui garimpar apoio financeiro institucional – para oxigenar a campanha de Zeca do PT pela volta ao governo do Estado, nunca teve dúvidas de que André Puccinelli nunca foi, não é nem será um companheiro de viagem confiável no projeto nacional do PT. E, pragmático, nem chega a julgar se isso é falha grave ou ‘virtude’ da coerência partidária: “É da natureza dele”, sentenciou Dirceu a um interlocutor local, referindo-se a Puccinelli. Zé Dirceu, na verdade, ‘apenas’ comunga e opera o sentimento do presidente Lula, que já no carnaval 2009, portanto há quase um ano, foi ‘convencido’ por Zeca do PT de que sua única alternativa política era o enfrentamento com Puccinelli pelo governo de Mato Grosso do Sul. À época, Lula e dona Marisa partilharam com Zeca e dona Gilda o prazer de amenidades infindas, próprias de amigos de décadas. Zeca, que mesmo intimidade – é ele quem diz – só se dirige a Lula com o respeitoso ‘Presidente’, saiu daquela longa visita com a ‘autorização’ praticamente explicita para travar a disputa do Puccinelli. Lula e Zeca tinham se prometido – e às esposas – que não tratariam de política. Claro que nem eles nem as elas acreditaram. Vai daí que dentre os muitos papos irrigados por ‘guaranás’ e estimulados por iguarias como pacu defumado e linguiça de Maracaju, Lula quis saber do projeto político de Zeca para 2010. Quando ouviu de Zeca que só a disputa pelo governo do Estado o motivava, o presidente Lula perguntou ao amigo: - Zeca, você acha pouco o Senado? - Não é isso, presidente. Eu é que não tenho vocação para o Legislativo, não tenho motivação para disputar o Senado – rebateu Zeca do PT. Meio constrangido, mas aliviado por ter esclarecido as coisas – conta. - Está certo – teria dito o Presidente, na econômica versão de Zeca do PT. No entanto, companheiros – que obviamente não estavam na conversa, mas que teriam ouvido algo mais do próprio Zeca ou mesmo de Lula – dizem que Lula o aval do Presidente teria sido total. Desde então – e o Carnaval já está aí de novo – Zeca tem trabalhado com a certeza de que Lula e PT nacional não barrariam sua candidatura. Os ruídos, tremores e ‘tremelicos’ têm ocorrido muito mais por conta de dissensões e maquinações internas a serviço de interesses pessoais – fácil e fartamente identificáveis, aliás. Vai daí que a informação de que Lula, Zé Dirceu e Dilma asseguram que Mato Grosso do Sul está fora da ‘zona de pressão’ – onde o interesse nacional de coligação com o PMDB suplantaria projetos regionais – nem a chega a ser novidade para Zeca do PT. O que Zeca não esperava, nem em seus momentos de maior entusiasmo, é que pudesse contar com seu amigo Zé Dirceu plenamente reinstalado no comando das articulações eleitorais de 2010. Isso não é sorte. É persistência. Que, em política, é quase tudo. Zé Dirceu sabe disso. Zeca, assim como Lula um teimoso disputador de eleições, também sabe.
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Oscar Gaspar |
21/01/2010 |
10:32:06
A perigosa brincadeira de André
Mesmo que de brincadeirinha, ao ‘ameaçar’ fornecer a presidiários que estão tirados do regime fechado para prisão domiciliar, endereços dos desembargadores do TJ/MS que lhes concederam o benefício, o governador André Puccinelli, de Mato Grosso do Sul, incorre num desatino.
Famosas, as incontinências verbais de sua excelência, vão do sarcástico ao hilário, modulando o seu humor(?). Nesse caso, porém, com a ‘ameaça’ o governador expõe-se a um risco gratuito – e desmedido. Imagine-se que nos próximos dias um dos três desembargadores que decidiram mandar pra casa os presidiários que tinham direito ao semi-aberto – mas estavam sob regime fechado por que o Poder Executivo não concluiu presídio com essas características – seja vitima, direta ou indireta, de assalto ou agressão. Será óbvia e automática a relação com o destempero verbal do governador. É público e notório que André Puccinelli, mesmo em rodas não tão restritas, faz referências pouco ou nada lisonjeiras ao Judiciário estadual, sempre com a precaução – nesse caso ele se cuida – de não 'fulanizar', de não declinar nomes. Contudo, nesse caso da liberação dos trezentos presos que ilegalmente vinham cumprindo pena em prisão de segurança máxima quando têm direito a regime que lhes permita trabalhar durante o dia, o governador sul-mato-grossense brincou com fogo. Por via das dúvidas ou dúvida das vias, o secretário de Segurança Wantuir Jacini deveria reforçar a segurança – velada ou ostensiva – para os desembargadores, cujos endereços Puccinelli ‘ameaçou’ delatar aos detentos ‘liberados’. Depois da afronta verbal – com o respectivo ‘troco’, aliás no mesmo e baixo nível – ao ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, essa incontinência Puccinelli em relação a membros do Poder Judiciário no exercício de suas funções constitucionais pode devolvê-lo à mídia nacional pelos mesmos motivos nada edificantes. Se alguém jogar uma pedra no telhado de um desses desembargadores, Puccinelli será responsabilizado. Precisava? Claro que não.
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Oscar Gaspar |
20/01/2010 |
10:08:54
O escorregão de Picarelli
Aviso aos navegantes: não tenho procuração para – nem pretensão de – defender o deputado estadual Maurício Picarelli (PMDB) no retumbante caso do uso do site da Assembléia para divulgar a estréia de seu programa de TV noutro canal. Nem sua excelência precisaria de minha, digamos, “defesa”.
Contudo, não me furtaria a breve sobrevôo sobre caso, com a ressalva de que não boto nenhum reparo à decisão de jornalistas & afins que deram atenção e espaço ao deslize do nobre parlamentar. Para blindar – e brindar – com alguma poesia o tormentoso tema do delito parlamentar, ancoro o direito de meter minha torta colher no assunto em dois versos do célebre poema ‘Irapuru’ – hoje ele grafaria ‘Uirapuru’ – de Humberto de Campos: “(...) O que mais no fenômeno me espanta/É ainda existir um pássaro no mundo/que fique a escutar quando outro canta!”* Pois bem. Ainda que muitos me ‘desqueiram’ como velho anu depenado ou débil sanhaço, sem sanha e sem aço, tento cantar pra não ceder ao silêncio. E se alguém teve saco ou pena – ou saco de pena, que é o mesmo que travesseiro – para chegar até aqui, então desçamos aos infernos para onde nos arrasta o torpe crime de Picarelli: permitir que um sacrílego assessor divulgasse no site puro da sacrossanta Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul a sua estréia noutro canal. Nada contra que a imprensa tenha apontado o lapso ou desvio. Está no seu papel. Agora, aqui pra nós e para todas as torcidas: perto das licenças, licenciosidades, transvios, desvios e manuseios financeiros, éticos e afins, que a honorífica Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, através de seus sucessivos sumos-sacerdotes, cardeais e até sacristãos, pratica com religiosa freqüência, erigir em delito o desvio de Picarelli teria sido, no mínimo, de uma estonteante hipocrisia. Tanto que a direção da Casa, valendo-se do providencial e prolongado recesso, fechou-se em obsequioso silêncio. Falar do uso de meios – ou recursos – públicos no interesse privado em relação a esse caso de Picarelli é, no que diz respeito a hábitos e costumes da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, de uma desfaçatez oceânica. Uso indevido – e, portanto, criminoso – de recursos públicos seria, por exemplo, a ‘triangulação’ com que se disfarçariam, pelos dutos da Casa, obscenas verbas mensais para alguns veículos. Será que isso ocorre? E se a direção da Assembléia se oferecesse, por exemplo, para canalizar algumas verbas de outro poder, para aplacar a fome quase insaciável de ‘a’ ou ‘b’, legitimando propinas mensais? Aí sim, seria uso indevido – e criminoso – do dinheiro público. Se ACASO isso ocorresse seria um ato criminoso... Se houvesse – que esse horror nunca manche a dignidade de nosso Legislativo – verbas ‘extras’ ( não contabilizadas) carreadas para áulicos, assessores e prepostos, aí sim, seria o caso de se falar em uso indevido ou criminoso do dinheiro público. Mas isso é coisa impensável... E tome polca. * Abaixo, o poema de Humberto de Campos, que evoquei aí acima. Homenagem ao navegante que veio até aqui. IRAPURU Humberto de Campos Dizem que o uirapuru, quando desata A voz - Orfeu do seringal tranqüilo - O passaredo, rápido, a segui-lo, Em derredor agrupa-se na mata. Quando o canto, veloz, muda em cascata, Tudo se queda, comovido, a ouvi-lo: O canoro sabiá susta a sonata, O canário sutil cessa o pipilo. Eu próprio sei quanto esse canto é suave; O que, porém, me faz cismar bem fundo Não é, por si, o alto poder dessa ave: O que mais no fenômeno me espanta, É ainda existir um pássaro no mundo Que se fique a escutar quando outro canta! ---///---
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Oscar Gaspar |
18/01/2010 |
10:55:38
O blog se acha...
Sem qualquer falsa modéstia, e até com algum cabotinismo, o blog tem o prazer de alardear que já no dia cinco deste janeiro informava ao distinto público que a Prefeitura de Campo Grande estudava a construção de sua sede à entrada do Parque dos Poderes, final da Avenida do Poeta.
Por alguma razão, só mais de uma semana alguns veículos entraram no assunto. O próprio prefeito Nelsinho Trad, dizem, reconheceu que o blog tem boas fontes. O que equivale, claro, a confirmação oficial da notícia. Para bom leitor, pingo é letra, diz a sabedoria popular. Para refrescar a memória dos navegantes sem tempo de clicar em nossos arquivos, breve trecho do ‘furo’ do dia 5: “Embora ainda não haja confirmação oficial, o blog tem de fonte segura que a nova sede da Prefeitura da Capital começa a ser a construída ali ainda no primeiro trimestre deste 2010. “E mais: numa área privada na mesma região, entre o Parque dos Poderes e a via de saída para Três Lagoas, seria construído um shopping center. Os dois projetos – o público e o privado – seriam implantados simultaneamente, dizem.” A conferir.
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Oscar Gaspar |
18/01/2010 |
10:52:38
Liberdade, liberdade
Trezentos presos, irregularmente detidos na Penitenciária de Segurança Máxima de Dois Irmãos do Buriti, podem ser postos na rua, por decisão judicial, a qualquer momento.
Desde que, em abril de 2008, a Colônia Penal de Campo Grande foi desclassificada por parlamentares da CPI dos Presídios como um “chiqueiro”, “pardieiro” etc e tal, esses presos que tinham algumas regalias foram “premiados” (punidos é termo) com a transferência para o presídio de máxima segurança. Dentre outros, os presos em questão teriam assegurado o direito ao trabalho, o que reflete na redução da pena e em remuneração. Sem esse direito garantido, recorreram à justiça através da Defensoria Pública. Sem outra alternativa, já que o governo do Estado não tem como lhes garantir prisão correspondente ao seu regime prisional, os trezentos detentos conseguiram do Judiciário o direito à liberdade. O que parece um absoluto disparate ou uma afronta ao bom senso é, na verdade, o estrito cumprimento da lei. Que está fora da lei, no caso, é o Poder Executivo, o governo, que não tem espaço para abrigar o presos que estão sob sua responsabilidade. De qualquer forma, a se confirmar a libertação de três centenas de presidiários, exatamente por falta de prisão adequada, Mato Grosso do Sul entrará para a triste crônica da incúria administrativa. O Judiciário, no caso, cumpre seu papel institucional. E ponto.
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Oscar Gaspar |
15/01/2010 |
15:00:17
Dragão de Trad quer comer área de lazer
Com sua enorme boca maldita, o ‘dragão da maldade’ agora ameaça engolir mais que o trecho da avenida Ceará.
Para conter a fome do bicho, a prefeitura de Campo Grande promete desapropriar nada menos que um naco da área de lazer de um conjunto de prédios de classe média alta. Incorporadores – que ainda completam a construção de um dos últimos blocos do conjunto – e moradores do conjunto de prédios por certo estão muito felizes com essa possibilidade de renunciar ao lazer em benefício da coletividade. E expressam de forma pouco lisonjeira sua ‘gratidão’ ao prefeito Nelsinho Trad e sua equipe. Especialmente porque há técnicos independentes assegurando que a fera engolidora da avenida Ceará é filhote direto e dileto da recente obra que drenou águas pluviais desde as proximidades da avenida Coronel Antonino até o baixadão agora corroído pela voçoroca. A coleta de águas pluviais de uma grande área urbana, e sua canalização para os baixios das proximidades do cruzamento das avenidas Afonso Pena e Ceará, teriam levado à exaustão o sistema de escoamento quando as chuvas são mais intensas ou prolongadas. Aliás, há informações sobre um movimento de mobilização ‘silenciosa’ para ir à Justiça cobrar explicações da Prefeitura sobre a drenagem e sobre os gastos para fechar a ‘boca do dragão’. Há ainda quem pretenda questionar, judicialmente inclusive, caso o prefeito Nelsinho Trad decida dar a obras viárias complementares a mesma característica ‘emergencial’, com que carimbou aquelas destinadas a fechar a ‘boca do dragão’. Obras emergenciais dispensam licitação, por razões óbvias. E tome polca.
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Oscar Gaspar |
14/01/2010 |
11:05:48
A magia do Descalvado
Creio ter uma boa justificativa para a longa ausência deste espaço virtual. Foram dias empregados numa das tarefas mais instigantes para um velho jornalista: uma reportagem sobre a histórica Fazenda Descalvado, um antigo potentado instalado em fins do século XVIII à margem direita do rio Paraguai e a 160 quilômetros ao sul de Cáceres (MT).
Tombada, a sede da Descalvado é dos espaços históricos mais importantes do Centro-Oeste, pois une patrimônio arquitetônico, que consubstancia o apogeu do ciclo econômico da pecuária, e sítio arqueológico que testemunha a ocupação original por povos primitivos que dominavam a vasta planície alagável. Isso sem falar da beleza majestosa do rio Paraguai, descortinando numa curva onda a câmera lenta das águas parece preparar a surpresa da cena-cenário seguinte: o conjunto de construções seculares, incluindo a casa-sede construída com material importante da Bélgica. ali, entre fins do século XIX e até a década de 30 do século passado matavam-se trinta mil reses por ano, e a linha industrial tinha tal sofisticação para a época, que a carne, cozida e enlatada, saia dali para a Europa e Estados Unidos. O potentado, que já teve área de mais de 200 mil hectares, hoje está reduzido a singelos 20 mil hectares, mas o que interessa mesmo e a sede majestosa, que vem sendo restaurada por um empresário do setor de turismo, que vai transformá-la, em breve, em eco lodge uma pousada como base de um roteiro que vai unir sofisticação e aventura no coração de uma das regiões mais exuberantes do Pantanal.
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Oscar Gaspar |
14/01/2010 |
11:03:55
Um debate pornográfico
Pornográfica, de fato e de direito, é essa ‘disputa institucional’ entre dois poderes de Campo Grande, em torno do voluptuoso tema da exposição de calcinhas, anexo, correlatos & complementos em vitrines e espaços publicitários da Capital.
O prefeito Nelsinho Trad teria mais que vetar mesmo o projeto – que a Câmara transformou em lei – de seu primo e presidente da Câmara, Paulo Siufi, que enveredaria até para a censura à publicidade, vez que vetaria também a publicidade considerada libidinosa, licenciosa, pornográfica e sabe-se lá mais o que. Pelo que se vê na mídia, é bem provável que Siufi já não conte com votos suficientes para derrubar o anunciado veto do prefeito a seu venerando projeto-quase-lei. E, aqui pra nós, o veto cristalizado – que significaria a ‘morte’ dessa idéia ‘barlouca’ – misto de barroca, pela notória antiguidade ‘conceitual’; e louca, pela pretensão de regular hábitos, costumes etc e tal com uma simples “penada legalista” – seria o que de melhor ou menos ruim poderia acontecer. Tanto para o criativo Siufi quanto para todos nós, campo-grandenses de direito ou de adoção. Transformado em lei, o tal projeto das calcinhas enfrentaria uma batalha legal com as agências de propaganda & empresas que investem milhões para promover seus produtos. Como tem, naturalmente, acesso a todas as mídias, imaginemos como as agências reforçariam a imagem de retrógrada de nosso Paulo Siufi. E, com isso, carimbariam Campo Grande como ícone do atraso. Chega de folclore. O conservadorismo usado como ‘arma’ política pode ser tremendamente nocivo. Especialmente para os que o impunham como se fossem guardiões da moral coletiva. Ou, como diria Paulo Francis – a citação é a mesma de alguns dias atrás, mas vale a pena: “Ignorância entronizada em indignação moral é extremamente agressiva.” E tome polca.
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Oscar Gaspar |
14/01/2010 |
11:01:00
Verba e contenção verbal
Com empreiteiro na família, a senadora Marisa Serrano (PSDB) tem engolido calada – no máximo um chio aqui, um resmungo ali – as pirotecnias verbais do incontido governador André Puccinelli a respeito de eventuais coligações, frentes, pactos ou parcerias com relação às próximas eleições.
A pessoas mais próximas e correligionários mais confiáveis, a senadora tucana tem dito que só não abre o verbo para respostas duras ao discurso impiedosamente autoritário de Puccinelli porque teme o troco em forma de boicote ao pagamento de obras que a empreiteira de seus familiares já fez para o governo do Estado. Se não usa o verbo com medo do corte da verba, é fácil supor que Marisa Serrano só tomará atitude prática quando não tiver mais saída. Ou, digamos, quando não tiver outro recurso – no sentido óbvio de alternativa e não de ‘money’, caros navegantes. No mais, pode ser que outros habitantes do ninho tucano, aqui e nas árvores maiores de São Paulo, Minas, Brasília etc, que não têm parentes empreiteiros e, portanto, não têm obrigação de manter o ‘silêncio obsequioso’, comprometam o ‘muralismo’ (nada a ver como moralismo, mas com muro mesmo, onde os tucanos sempre pousam com firmeza) preventivo de Marisa Serrano.
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Oscar Gaspar |
08/01/2010 |
10:28:19
Os tentáculos do dragão da Ceará
As obras de emergência para tapar a ‘boca do dragão’ ou ‘garganta do diabo’ que se abriu na Avenida Ceará não dependem, é claro, de licitação – exatamente porque são emergenciais.
Falou-se, inicialmente, em algo em torno de R$ 2 milhões para fechar a bocarra da voçoroca. Ocorre que, agora, já se falam em obras viárias importantes como ‘complemento’ ou ‘consequência’ da recuperação da avenida. Só não se disse – talvez ninguém tenha perguntado – até agora é se essas obras viárias também são consideradas ‘emergenciais’ e, portanto, estariam no pacote da dispensa de licitação. Mesmo que essas obras sejam estratégicas para a configuração de um novo subsistema viário naquela área de Campo Grande, ‘anexá-las’ na emergência do fechamento da cratera da Avenida Ceará seria forçar a barra. Até porque, se do ponto de vista legal e ético ficaria difícil uma justificativa, da perspectiva do planejamento urbano a coisa ficaria ainda pior: como é que uma obra estratégica só foi ‘lembrada’ quando a erosão engoliu a avenida? E tome polca.
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Oscar Gaspar |
08/01/2010 |
10:26:35
Pios cínicos do passarinho
Jurássico tecnológico juramentado, ainda aguardo para embarcar no twitter, mais uma galáxia que se estabeleceu rapidamente no infinito espaço sideral da ‘blogosfera’.
Enquanto isso, me divirto com breves e instigantes passeios sobre os ‘microblogs’ de certas ‘personagens’ com alguma influência – real ou autopresumida. Nas brevíssimas mensagens o cinismo se expõe de forma escancarada: fulanos desejam ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘boa noite’, ‘bons sonhos’ e ‘tudo mais de bom’ a figuras para as quais, na vida real, desejam, no mínimo, um câncer de próstata. Assim, tenho que o twitter, além de ótima ferramenta de interação entre indivíduos é, também, um instrumento de ‘entregação’ de personalidades e condutas. E, claro, também de manipulação e de autopromoção. Indivíduos bonzinhos ‘tuitando’ são, às vezes, figuras repulsivas no mundo real. Melhor para o mundo real, pois o tuiteiro, por mais ‘artista’ e virtual que seja, tem de se mostrar tal como é no mundo real, mesmo que seja para o seu pequeno círculo. Mas isso é assunto para teses acadêmicas – que em breve estarão na praça esmiuçando mais esse extraordinário fenômeno da Internet.
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Oscar Gaspar |
07/01/2010 |
09:52:32
Fiscalizar a renúncia fiscal
Em Mato Grosso, nosso ‘irmão siamês’, Assembléia e Tribunal de Contas resolveram fazer um balanço geral dos incentivos fiscais, fartamente concedidos pelo governo Estado nos últimos anos.
Lá, como aqui, a ‘generosidade’ com que a administração estadual abre os dutos do dinheiro público – via renúncia fiscal, mas também através da oferta de infraestrutura e outras ‘comodidades’ – para irrigar empresas, sob o flácido argumento de geração de empregos, tem componentes de escândalo. No vizinho-irmão do norte, informam auditores do TCE, a renúncia fiscal promovida pelo governo de Blairo Maggi – mas patrocinada, de fato, pelo contribuinte que paga imposto, pois daí é que se cobre o rombo deixado pela ‘generosidade’ da renúncia – chegou a R$ 1,08 bilhão em 2008. O equivalente, dizem, ao orçamento da Educação. E superior ao gastos previstos para Saúde e Segurança Pública. O relatório dos auditores do TCE para a Assembléia aponta resultados vexatórios para o desenvolvimentismo capenga de Blairo Maggi: os setores mais aquinhoados com os tais incentivos fiscais são a industria de transformação e a agropecuária. Esta gerou apenas 16% dos novos empregos em 2008, em Mato Grosso. Já a indústria de transformação produziu escassos 32 novos postos de trabalho. Sem contar que apenas quatro empresas abocanharam a gorda fatia de 20% dos R$ 450 milhões em incentivos concedidos via Secretaria da Indústria, Comércio, Minas e Energia. Existem, é claro, muitos argumentos em favor dos incentivos fiscais. Mas, como lá em Mato Grosso, aqui também merecem discussão pública e maior controle essas magnânimas benesses com que governo do Estado e prefeituras se desdobram em ‘gentilezas’ de milhões de reais, sacados no ‘mercado futuro’ – ou melhor, ‘capados’ ao futuro, já que impostos que bancariam escolas, hospitais, estradas etc deixarão de ser pagos – em nome da geração de empregos e de agregação de valor à produção estadual. A política de estímulo à industrialização via incentivo fiscal bem que poderia ser um dos tons temas da campanha eleitoral deste ano, em Mato Grosso do Sul. Afinal, o ‘incentivo’ para os grandes empresários é a renúncia do poder público à obrigação de cobrar o que lhe é devido. Em duplo prejuízo do cidadão comum – que paga seu impostinho e ainda se priva dos serviços que o imposto dos grandes financiaria, se entrasse no caixa do governo. E olha que não estamos falando nas mil mumunhas, maracutaias e manipulações que os tais incentivos fiscais promovem no subsolo dessas generosidades de mandatários de plantão e ‘subsidiários’. E tome polca.
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Oscar Gaspar |
05/01/2010 |
10:47:11
Drops de troco
Prestes a ser desmontada, a ‘Cidade do Natal’ – a mais criativa idéia de apropriação legítima de um espaço público antes à disposição, principalmente, dos ‘feirões’ de automóveis – deve ser substituída, nas regras do calendário, pela ‘Cidade do Carnaval’. Nada mal.
Os gostosamente chamados ‘altos da Afonso Pena’ devem mesmo ser destinados, em sua totalidade e permanentemente, ao usufruto da população. x-x-x- Falar em ‘altos da Afonso Pena’, não dá pra deixar de dizer: como é que uma das mais belas avenidas deste país tem uma arquitetura tão devastadoramente feia? Com duas ou três honrosas exceções, os prédios – especialmente os residenciais – construídos nas últimas décadas ao longo da Afonso Pena são de um acachapante pobreza arquitetônica. De caixotes de vidro e concreto a extravagâncias angulosas e pesadas, os prédios da Afonso Pena parecem feitos sob encomenda...para ‘matar’ a avenida. Esses mostrengos ‘escondem’ raras e belas casas residenciais – algumas adaptadas com algum bom gosto para atividades comerciais – e projetam a sombra de sua feiúra sobre o verde esfuziante da avenida, cuja beleza nem mesmo essa ‘desarquitetura’ consegue roubar.
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Oscar Gaspar |
05/01/2010 |
10:44:50
A Prefeitura vai ao Parque?
O blog não tem a menor intenção de provocar uma corrida imobiliária, mas tem circulado nos últimos dias, em círculos bem informados, a informação é só por esse preâmbulo, que mistura círculo e circulado bem informados e informação, o navegante já vê que vem coisa de que a Prefeitura de Campo Grande vai construir sua sede à entrada no Parque dos Poderes, prolongamento da Avenida Afonso Pena, ali batizada de Avenida do Poeta.
Ali a municipalidade tem um área relativamente extensa: parte antes sub-ocupada por uma associação de funcionários e, talvez por isso, retomada; outra ocupada pelo Centro de Triagem do Migrante (Cetremi ocê tremi só de chegá perto, dizem ressabiadas 'aves de arribação' obrigadas a se abrigarem ali), que bem pode migrar para área menos nobre. Embora ainda não haja confirmação oficial, o blog tem de fonte segura que a nova sede da Prefeitura da Capital começa a ser a construída ali ainda no primeiro trimestre deste 2010. E mais: numa área privada na mesma região, entre o Parque dos Poderes e a via de saída para Três Lagoas, seria construído um shopping center. Os dois projetos o público e o privado seriam implantados simultaneamente, dizem. Pelo sim, pelo não, enquanto não vem a confirmação oficial desses investimentos com potencial para redirecionar parte da expansão da cidade para região leste, os negócios com imóveis naquela área estão suspensos e, claro, proprietários sob justificado suspense. Mais detalhes, em breve, neste local. Como dizem as placas que anunciam novos empreendimentos imobiliários.
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Oscar Gaspar |
04/01/2010 |
12:20:02
O pesadelo de Nelsinho Trad
Se maré ‘braba’ for prenúncio de bonança, como proclamam os otimistas inveterados, o prefeito Nelsinho Trad, de Campo Grande, não tem do que se queixar.
Posto no estaleiro por uma hérnia de disco que o privou das peladas que movimentam os gramados municipais nos festejos de fim de ano, Nélson Trad Filho tem outros fantasmas – aliás, bem reais – a atormentar seu começo de 2010. Sem contar a impertinente – e impenitente – insistência com que o governador André Puccinelli ‘sugere’ (com aquele jeito ‘suave’ puccinelliano, que transforma qualquer sugestão em imposição) que deixe a Prefeitura para se candidatar ao Senado, Nelsinho Trad tem outros tétricos pesadelos – de que não pode fugir com a mesma ‘facilidade’ com que tenta descartar a ‘sugestão’ de André. No pior desses pesadelos, dizem, o prefeito, ainda amarrado pela hérnia de disco, vê a boca descomunal da cratera da Avenida Ceará se escancarar, com volúpia diabólica, para engoli-lo junto com boa parte da cidade. Amarrado pelas dores lancinantes na coluna, Nelsinho Trad ainda assim corre o quanto pode, enquanto ouve seu secretário de Infraestrutura, João Antônio De Marco, bradar, já engolido pela garganta do dragão, que nada se pode fazer enquanto a chuva não parar. Quando, em seu pesadelo, Nelsinho Trad olha pra cima para conferir se vem mais chuva, vê uma nuvem negra...de Aedes aegypti. O prefeito calcula – como em qualquer pesadelo, catástrofe pouca é bobagem – que a nuvem tenha potencial para chover ‘mosquito da dengue’ por quarenta dias e quarenta noites sobre Campo Grande. Os primeiros ‘anjos negros da febre mortífera’ se aproximam exatamente dele, prefeito, impotente diante do mortífero ataque aéreo. Como na vida real, também nos pesadelos, quando tudo parece definitivamente perdido... ainda pode piorar. Empurrado de volta para as proximidades da garganta do dragão da maldade, Nelsinho se dá conta de que a cratera já engoliu seu secretário De Marco, e ameaça tragar meia cidade. Olha para o alto a fim de invocar a piedade divina e eis que dentre as nuvens desponta, poderoso e altaneiro, o governador André Puccinelli que, de um só sopro com poder de tufão, joga todos os bilhões de mosquitos na estratosfera. - Posso fechar agora essa diabólica voçoroca, mas também posso fazer a mosquitada voltar de um só sopro – brada o governador, que agora Nelsinho Trad, talvez influenciado pelas ilustrações dos velhos catecismos, confunde com o próprio Criador. “Só depende de você: sai ao Senado na minha chapa ou não?” Desesperado com a catástrofe que brota do seio da terra e se derrama do céu em nuvens mortíferas, Nelsinho Trad tenta um gesto brusco de protesto, mas a hérnia de disco – dramaticamente real, apesar de inserida no pesadelo – o golpeia com uma fisgada lancinante. - Eu saio, eu saio, eu saio – vocifera o prefeito que, banhado em suor, acorda ainda em tempo de ouvir a própria promessa desesperada. - O que foi isso, meu bem? – pergunta a primeira-dama, arrancada em meio a um sonho bom pelos gritos do marido. - Um pesadelo dos diabos – responde Nelsinho Trad. Em seguida, lembrando da visão de um André Puccinelli com poderes divinos – e, vai se lá saber, dentre eles a onisciência – modera o tom: “Um pesadelo brabo, mas apareceu um anjo bom e...”
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Oscar Gaspar |
04/01/2010 |
12:17:42
Oceano, um mar de competência
Com a competência profissional e a dedicação do pessoal da ‘Oceano Comunicação e Novos Negócios’, a readequação do suporte e os ajustes ‘gráficos’ do blog estão concluídos.
Resta agora ao blogueiro que vos fala corresponder à ferramenta que tem. E, mais ainda, responder, minimamente que seja, às expectativas dos que navegam por aqui em busca de uma avaliação crítica ou de um olhar mais irônico sobre o cotidiano.
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Oscar Gaspar |
04/01/2010 |
12:15:54
Grande 2010 aos navegantes
Feliz 2010 a todos. No quarto dia do ano ainda é tempo de saudar a todos – ao Ano Novo e aos fiéis navegantes aqui desta pequena, mas destemida nau.
Falar em ‘navegantes’ e ‘nau’, me ocorre que alguém já disse que “em alto mar não existe ateu”. Basta uma onda mais avultada, uma tempestade no horizonte do mar-sem-fim, e o mais ferrenho ateu já engata um “ai, meu Deus...” Por essa e por todas as outras, que Deus nos inspire e guarde a todos – crentes de fé ou de ocasião, ateus convictos ou de fantasia, agnósticos, crédulos etc – neste ano de 2010. Com Copa do Mundo e eleições quase gerais – quando é que vamos ajustar o calendário para sintonizar também as eleições municipais? – este ano vai passar voando. Talvez exatamente por isso a gente precise, mais do que nunca, da presença constante de Deus.
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